A manhã desta quarta-feira (22) começou quente em Teresina. A Diretoria Especializada em Operações Policiais (Deop) deflagrou uma ação de impacto que prendeu dois advogados e uma servidora pública estadual, todos suspeitos de integrar um esquema ousado de intimidação de magistrados, dossiês forjados e manipulação de decisões judiciais.
Os alvos da operação foram os advogados Juarez Chaves de Azevedo JĆŗnior, FlĆ”vio Almeida Martins e a servidora Lucile de Souza Moura. As prisƵes sĆ£o temporĆ”rias, mas o caso jĆ” sacudiu os bastidores do poder no PiauĆ.
Segundo a PolĆcia Civil, o grupo Ć© investigado por coação no curso do processo, denunciação caluniosa, calĆŗnia e associação criminosa. O objetivo seria fabricar dossiĆŖs com acusaƧƵes falsas para tentar pressionar juĆzes e desembargadores em processos relacionados Ć reforma agrĆ”ria ā um tema sensĆvel e de alto impacto polĆtico e econĆ“mico.
āļø PressĆ£o nos tribunais
As denĆŗncias indicam que os investigados nĆ£o mediram esforƧos para intimidar magistrados. Um dos episódios mais graves descritos no inquĆ©rito revela que um advogado chegou a colocar um dossiĆŖ diretamente sobre a mesa de um desembargador, um dia antes de um julgamento de seu interesse. O magistrado se sentiu coagido e denunciou o caso Ć polĆcia, o que abriu caminho para a operação.
De acordo com as investigaƧƵes, trĆŖs juĆzes e dois desembargadores teriam sido alvos de pressĆ£o, numa tentativa de distorcer o curso da JustiƧa e garantir decisƵes favorĆ”veis em processos milionĆ”rios.
šļø Alvo reincidente
O advogado Juarez Chaves jĆ” era figura conhecida das forƧas de investigação. Ele foi citado em duas operaƧƵes anteriores ā uma da PolĆcia Civil, que apurava o mesmo esquema de dossiĆŖs falsos, e outra da PolĆcia Federal, na qual o desembargador JosĆ© James Gomes Pereira foi apontado como possĆvel integrante do grupo.
Na ação federal, Juarez chegou a cumprir medidas cautelares, como proibição de acesso ao Tribunal de Justiça do Piauà (TJ-PI) e impedimento de contato com outros investigados, incluindo o próprio desembargador, atualmente afastado do cargo.
šļø Servidora ligada ao PalĆ”cio de Karnak
Entre os detidos, a professora Lucile de Souza Moura, servidora efetiva do Estado, também aparece no centro da investigação. Segundo o Portal da Transparência, ela estava cedida à Secretaria de Governo (Segov), onde atuava como assessora especial do governador Rafael Fonteles (PT).
Lucile foi exonerada do cargo no dia 1Āŗ de outubro, conforme publicação no DiĆ”rio Oficial, dias antes da operação. Na Ć©poca, divulgou uma nota pĆŗblica afirmando ter sido āequivocadamente associadaā ao caso. Admitiu ter compartilhado āinadvertidamente um arquivo PDFā com supostas denĆŗncias que circulavam em grupos de WhatsApp, mas negou qualquer intenção criminosa. Disse ainda respeitar o JudiciĆ”rio e que a verdade seria esclarecida.
āļø OAB acompanha de perto
A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Piauà (OAB-PI), informou que acompanha o caso de perto para garantir as prerrogativas legais dos advogados presos, mas não se pronunciou sobre o mérito das acusações.
Enquanto isso, os três investigados permanecem custodiados na Central de Inquéritos de Teresina, e o inquérito segue sob sigilo de Justiça.
Fontes ligadas Ć investigação afirmam que novas prisƵes e quebras de sigilo nĆ£o estĆ£o descartadas. A Deop teria em mĆ£os novas provas digitais e depoimentos sigilosos que podem ampliar o escopo da operação ā e atingir nomes ainda mais influentes do meio jurĆdico e polĆtico do Estado.
š£ Em resumo: a operação desta quarta nĆ£o Ć© apenas uma ação policial ā Ć© o retrato de uma batalha silenciosa travada nos bastidores do JudiciĆ”rio piauiense, onde dossiĆŖs, ameaƧas e interesses cruzados parecem ter substituĆdo o que deveria prevalecer: a verdade e a JustiƧa.
Da Redação – Imagem gerada por IA Chat GPT


