Marcado desde 1822, quando Dom Pedro I declarou a independência do Brasil às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, o 7 de Setembro sempre foi uma data de exaltação da pátria, de valorização da soberania nacional e da identidade do povo brasileiro.
Este ano, no entanto, as comemorações ganham novo peso político. Em meio a um país polarizado, a data será marcada por atos de rua que refletem duas visões opostas de Brasil.
A direita e a pauta da impunidade
Setores da direita e da extrema-direita convocaram manifestações em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como líder de uma articulação golpista. Entre as bandeiras desses grupos estão o pedido de anistia para os condenados do 8 de janeiro, ataques ao ministro Alexandre de Moraes e até mesmo a saída do presidente Lula do cargo.
Mesmo em prisão domiciliar, Bolsonaro segue como principal referência dessas mobilizações, que tentam transformar o 7 de Setembro em palanque para a impunidade e em instrumento de pressão contra a Justiça.
A esquerda e a defesa da democracia
Do outro lado, movimentos sociais, centrais sindicais e partidos progressistas também organizam grandes atos, com o objetivo de reafirmar o sentido histórico da Independência: a luta pela soberania, pela democracia e pelos direitos do povo.
Com o lema “Cuidar da casa comum e da democracia é luta de todo dia!”, o 31º Grito dos Excluídos e das Excluídas será a principal manifestação da esquerda em várias capitais do país. O ato defende pautas como justiça social, proteção ao meio ambiente, direito à vida e combate às desigualdades.
Além disso, os movimentos progressistas pretendem disputar os símbolos nacionais – cores, bandeira e hino – que, nos últimos anos, foram apropriados pela extrema-direita. A estratégia é mostrar que o verde e amarelo também pertencem àqueles que lutam por um Brasil soberano, democrático e justo.
Disputa nas capitais
Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Belo Horizonte e Florianópolis devem reunir multidões neste domingo. A direita concentra seus atos pela manhã, para permitir deslocamentos de suas lideranças entre estados, enquanto a esquerda aposta em mobilizações simultâneas, com grande presença de movimentos populares.
No Recife, por exemplo, a direita se reúne à tarde na Avenida Boa Viagem. Já a esquerda concentra forças no Parque Treze de Maio, pela manhã, com manifestações culturais, sociais e políticas.
Um 7 de Setembro decisivo
O embate deste ano vai além das ruas. Ele revela qual narrativa prevalecerá: a da anistia aos que atacaram a democracia, ou a da defesa das instituições e da soberania nacional diante de pressões externas e internas.
Enquanto Bolsonaro e seus aliados buscam escapar das consequências de seus atos, Lula e o campo progressista tentam reafirmar que não há democracia sem Justiça e que o Brasil precisa estar unido contra qualquer retrocesso.
Assim, o 7 de Setembro de 2025 não será apenas uma celebração da Independência, mas também um termômetro da força de cada lado na disputa pelo futuro do país.
Por Damatta Lucas – Imagem: IA Chat


