A Guerra contra a Justiça Tributária: Por que a direita defende os super-ricos

Porque o PL não quer que o governo taxe os super-ricos?
A resposta é simples, incômoda e reveladora: porque o partido escolheu defender os interesses de quem já tem demais — os mesmos abastados que financiam campanhas, bancam estruturas eleitorais e exigem, em troca, um Estado submisso ao grande capital. Justiça tributária, para essa elite política, é uma ameaça direta aos seus patrocinadores.

É a partir dessa lógica que se entende a ofensiva do Partido Liberal contra a política de correção das desigualdades proposta pelo governo Lula. Ao acionar o Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar trechos da Lei nº 15.270/2025, o PL não está defendendo a Constituição, a segurança jurídica ou qualquer princípio nobre. Está defendendo privilégios históricos.

A lei questionada viabiliza algo elementar em qualquer democracia moderna: aliviar o peso dos impostos sobre quem vive de salário e cobrar mais de quem concentra renda em níveis obscenos. O objetivo é claro — ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, beneficiando milhões de trabalhadores. Para compensar essa renúncia fiscal, o governo propõe uma tributação mínima sobre rendas extremamente elevadas. Nada além do que já ocorre em países desenvolvidos.

O PL, porém, correu ao STF com a ADI 7933 pedindo a suspensão da cobrança. Alega violação ao princípio da anterioridade nonagesimal e tenta vestir de tecnicismo jurídico o que é, na essência, uma disputa de classe. Questiona também a chamada “tributação mínima”, insinuando que se trataria de um imposto sobre grandes fortunas — um espantalho retórico usado sempre que se tenta tocar nos intocáveis.

O detalhe que o partido tenta esconder é que o debate no Congresso foi explícito: sim, a proposta busca atingir os super-ricos. E qual é o problema? O escândalo não é tributar quem ganha mais de R$ 50 mil por mês. O escândalo é um país onde quem recebe milhões paga, proporcionalmente, menos imposto do que um professor, um enfermeiro ou um comerciário.

Hoje, no Brasil, alguém com renda mensal superior a R$ 5 milhões paga, em média, apenas 5,67% de imposto sobre sua renda real. Isso não é eficiência econômica — é distorção brutal, é captura do Estado, é a prova de que o sistema tributário foi moldado para proteger o topo da pirâmide e esmagar a base.

Estudos do próprio Ministério da Fazenda deixam claro o que está em jogo. Ampliar a isenção do Imposto de Renda sem taxar os mais ricos piora as contas públicas e aprofunda a desigualdade. Em outras palavras: sem enfrentar os privilégios do andar de cima, qualquer política social vira promessa vazia ou bomba fiscal.

A proposta do governo é racional e progressiva. Isentar quem ganha até R$ 5 mil, reduzir a carga para quem recebe até R$ 7 mil e elevar, de forma escalonada, a contribuição de quem ganha acima de R$ 600 mil por ano, chegando a uma alíquota real de até 10% para rendas milionárias. Não é confisco. É equilíbrio. É justiça.

A reação do PL expõe uma escolha política cristalina: prefere um país onde o Estado serve aos muito ricos, mesmo que isso signifique sacrificar investimentos públicos, serviços essenciais e qualquer chance real de reduzir a desigualdade. Prefere preservar a lógica de um Brasil colonial, onde poucos mandam, poucos pagam pouco, e muitos sustentam tudo.

Ao tentar barrar a taxação dos super-ricos, o PL não defende o contribuinte comum — age contra ele. Atua para manter um sistema regressivo, injusto e socialmente explosivo. Em vez de um pacto nacional por justiça tributária, opta pela velha política do privilégio, do favor e da desigualdade institucionalizada.

No fim das contas, a pergunta inicial se responde sozinha: o PL não quer taxar os super-ricos porque governa — e litiga — para eles. E enquanto essa escolha prevalecer, o Brasil seguirá dividido entre um país que trabalha e paga, e outro que acumula, manda e se recusa a contribuir.

Por Severino Severo – Imagem: Chat GPT

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