A Nova Era dos Imperadores: Israel, EUA e Rússia disputam poder, territórios e o controle do mundo

Por Damata Lucas

Vivemos um tempo em que a guerra deixou de ser exceção para se tornar política de Estado. Israel, Estados Unidos e Rússia operam como impérios modernos, cada qual movido por sua obsessão: controle territorial, hegemonia militar e a imposição de uma ordem que lhes favoreça. A diplomacia cede lugar à intimidação. E as vítimas — populações civis do Oriente Médio, da Europa Oriental, da África e da Ásia — se tornam estatísticas de um jogo global em que a vida vale menos do que petróleo, urânio, gás natural ou influência geopolítica.


Israel: a colonização total da Palestina e o ataque preventivo como doutrina

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu parece decidido a riscar a Palestina do mapa. Desde outubro de 2023, as ofensivas israelenses contra Gaza e a Cisjordânia deixaram mais de 55 mil mortos palestinos, segundo estimativas de organizações humanitárias. Israel bombardeou campos de refugiados, hospitais, escolas e áreas residenciais inteiras sob a justificativa de “neutralizar o Hamas”. A violência, no entanto, ignora qualquer proporcionalidade e revela um objetivo mais amplo: ocupar toda a Palestina e eliminar o que resta de autodeterminação palestina.

Recentemente, Netanyahu intensificou sua retórica contra o Irã, acusando Teerã de descumprir acordos nucleares — mesmo sem confirmação da ONU, da AIEA ou dos próprios Estados Unidos. Aparentemente isolado, mas operando com a conivência tácita de potências ocidentais, Israel atacou também alvos no Líbano, Iêmen e Síria, alargando seu raio de ação sem enfrentar qualquer sanção ou condenação efetiva da comunidade internacional.

Israel não age sozinho, mas sob o manto de décadas de apoio militar, diplomático e econômico dos EUA, que garantem sua impunidade. O sionismo estatal se tornou uma máquina expansionista sustentada pela indústria bélica e pela narrativa do medo existencial.


Estados Unidos: a busca eterna por inimigos e recursos

Donald Trump, mesmo fora da Casa Branca, nunca deixou de pautar a agenda militarista dos EUA. Suas propostas de anexação da Groelândia, reestatização do Canal do Panamá e endurecimento contra a China no Pacífico são peças de uma doutrina imperial moderna: controlar rotas estratégicas, bases navais e recursos naturais em todo o planeta.

A política externa norte-americana opera em dois tempos: chantagem econômica (sanções, bloqueios) e ação bélica (invasões, apoio a golpes, fornecimento de armas). Do Iraque à Líbia, da Síria ao Afeganistão, os EUA acumularam centenas de milhares de mortes civis em nome da “democracia”. Hoje, a guerra fria com a China e o apoio militar à Ucrânia não são altruísmo — são investimento em influência e controle geoestratégico.

A chamada “guerra contra o terror” deu lugar à guerra contra o multipolarismo. Onde há resistência à hegemonia norte-americana, há intervenção: direta ou terceirizada.


Rússia: a nostalgia imperial e a tentativa de apagar a Ucrânia do mapa

A invasão russa da Ucrânia é talvez o exemplo mais direto de um projeto de neocolonialismo. Para Vladimir Putin, a Ucrânia não tem o direito de existir como Estado soberano. A retórica do “reconhecimento histórico” e da “desnazificação” encobre a verdade brutal: a guerra é por controle de fronteiras, recursos naturais e relevância global.

Desde 2022, o conflito deixou centenas de milhares de mortos, milhões de refugiados e cidades inteiras devastadas. O apoio militar do Ocidente transformou a Ucrânia em campo de teste para armamentos e tecnologias de guerra, ao passo que a Rússia aposta no prolongamento do conflito como tática de desgaste e reafirmação de seu poderio nuclear.

Putin atua como um czar moderno. Seu governo silencia opositores, manipula a mídia e reforça alianças com regimes autoritários, como Irã e Coreia do Norte. Ao mesmo tempo, instiga crises em outras regiões da Eurásia, da Geórgia à Moldávia, como parte de uma política de expansão e intimidação regional.


Juntemos as peças: a lógica imperialista em 2025

Não se trata de três países em guerra, mas de três projetos de império. Israel quer a Palestina inteira e, se possível, neutralizar o Irã. Os Estados Unidos querem manter o planeta sob sua esfera de influência, custe o que custar. A Rússia quer restaurar seu antigo domínio soviético, iniciando pela Ucrânia.

A obsessão é a mesma: poder global e controle territorial. E as ferramentas também: guerra preventiva, desinformação, alianças seletivas e desprezo absoluto pelo direito internacional.

Vivemos, portanto, uma nova guerra fria — não mais entre blocos ideológicos, mas entre imperadores armados que disputam rotas, mares, territórios, riquezas minerais e zonas de influência. Nesse tabuleiro, a vida humana é descartável. Gaza, Kiev, Sanaa ou Damasco são apenas peças.


Conclusão: entre o cinismo global e a resistência invisível

A comunidade internacional assiste passiva. A ONU está paralisada. O Conselho de Segurança virou arena de veto entre potências. A imprensa ocidental naturaliza o genocídio palestino enquanto demoniza o inimigo da vez. As ONGs são sufocadas por falta de verbas ou perseguição judicial. E os povos atingidos são condenados ao silêncio, à dor e à invisibilidade.

Mas nem tudo está perdido. Movimentos sociais, vozes dissidentes, jornalistas corajosos e povos em resistência mantêm acesa a chama da denúncia e da justiça. A história já mostrou que todo império um dia cai — mas o custo da resistência, mais uma vez, será pago em sangue.

Imagem: IA ChatGpt

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