Nos últimos meses, o Brasil tem sido sacudido por escândalos de corrupção e operações policiais que revelam a íntima relação entre crime organizado, grandes empresários e figuras de destaque da política de direita. Mas, se depender da grande imprensa, esses casos não merecem manchetes, editoriais inflamados ou longas séries de reportagens investigativas. A tática é conhecida: quando o alvo está no campo da direita ou do grande capital, prevalece a omissão, o abrandamento ou a proteção silenciosa dos envolvidos.
A Operação Carbono Oculto, que escancarou a infiltração do PCC em fintechs da Faria Lima e no setor de combustíveis, expôs um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Investigações apontaram o envolvimento de empresários de peso e até a proximidade de assessores do governo paulista de Tarcísio de Freitas. No entanto, a cobertura da mídia tradicional tratou o caso como um episódio periférico, escondendo o nome do governador e minimizando a dimensão política do escândalo.
O contraste é gritante. Quando o mensalão explodiu, os grandes jornais e redes de televisão não hesitaram em transformar Lula no protagonista das manchetes, mesmo quando o pivô original, Roberto Jefferson, era um quadro histórico da direita. Na Lava Jato, o famoso PowerPoint de Deltan Dallagnol contra Lula foi elevado a verdade absoluta, sem questionamentos sobre a fragilidade jurídica da peça. O jornalismo, nesse caso, foi militante — mas contra a esquerda.
Agora, diante de denúncias de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu dinheiro vivo de líderes do PCC ligados ao setor de combustíveis, o silêncio é ensurdecedor. Reportagem do ICL Notícias revelou que uma testemunha presenciou a entrega de uma sacola de dinheiro ao senador. A denúncia foi levada à Polícia Federal. Ainda assim, o assunto não ocupou capas de jornais nem editoriais indignados. Claro que uma imprensa séria não deixaria de abordar o caso, dando todo o espaço e o direito de defesa e argumentos do senador, porque isso tem ser o papel do jornalismo. Mas não é isso o que acontece. O que acontece é a omissão, escondendo do público o direito de analisar os dois lados e fazer seu discernimento, formar a sua opinião.
Não se trata de um caso isolado. A grande imprensa brasileira, tradicionalmente alinhada à direita e ao mercado financeiro, adota um duplo padrão de cobertura. Quando a denúncia atinge a esquerda, o massacre midiático é imediato e duradouro. Quando envolve a direita ou grandes empresários, a cobertura é tímida, fragmentada e sempre cautelosa em proteger nomes e responsabilidades. É uma forma de censura velada, estratégica e funcional para a manutenção de um sistema político-econômico desigual.
A omissão diante da corrupção bilionária na Faria Lima, por exemplo, e da blindagem a Tarcísio de Freitas demonstra que a grande imprensa não falha por descuido: escolhe omitir. E essa escolha tem lado, tem cor e tem classe.
Políticos de direita costumam afirmar que a mídia alternativa age como pistoleira da esquerda. Resta a pergunta incômoda: será também que a mídia corporativa, a mercadológica não funciona como pistoleira a favor da direita?
Da Redação – Imagem: ChatGPT


