A quem serve o congelamento do salário mínimo?

Por Damatta Lucas

No momento em que o Brasil apresenta sinais concretos de recuperação econômica — com inflação em queda, geração de empregos formais e crescimento real do salário mínimo — uma parcela influente do Congresso Nacional, liderada por figuras da direita e da extrema-direita, tenta impor ao país uma agenda econômica que ataca frontalmente os mais vulneráveis. E o faz com apoio declarado de setores da imprensa e de economistas de perfil ultraliberal.

A proposta de congelar o salário mínimo por seis anos, além de desvincular sua correção automática das aposentadorias, é mais do que um retrocesso: é um projeto de empobrecimento institucionalizado. Na prática, significa condenar milhões de aposentados e trabalhadores à perda de poder de compra progressiva, empurrando-os, silenciosamente, para a indigência. Trata-se de um ataque direto ao princípio de dignidade humana garantido pela Constituição.

O discurso que sustenta tais medidas se ampara em uma retórica de “responsabilidade fiscal”, mas esconde suas reais intenções: preservar privilégios de uma minoria rica em detrimento do sacrifício imposto à maioria pobre. Os mesmos que defendem congelar salários e benefícios sociais são os que rejeitam qualquer proposta de taxação justa sobre bancos, grandes heranças, fundos exclusivos e empresas de apostas bilionárias.

E quando o governo tenta corrigir distorções — como garantir isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil ou cobrar um pouco mais de quem lucra milhões — esses setores reagem com escândalo, chamando justiça tributária de “ameaça comunista”. Ignoram que em países como Estados Unidos e Alemanha, os mais ricos pagam muito mais do que pagam hoje no Brasil. Aqui, dividendos milionários continuam isentos, enquanto o trabalhador de baixa renda continua pagando proporcionalmente mais.

O caso dos aposentados prejudicados por fraudes no INSS durante a gestão anterior é outro exemplo do desprezo de parte do Congresso pela população que mais precisa. A negativa de liberar recursos para corrigir esse prejuízo, alegando contenção de gastos, revela o duplo padrão de uma elite política que nunca hesita em aprovar benefícios para si mesma, mas impõe rigor extremo quando se trata de garantir o básico aos que já sofrem com décadas de desigualdade.

A extrema-direita brasileira, hoje dominante em muitos espaços do Legislativo, atua como guardiã dos interesses do 1% mais rico, blindada por bolhas digitais que manipulam informações e viralizam narrativas distorcidas. Enquanto isso, vendem para o povo a ilusão de que estão defendendo a moral e os bons costumes, quando na verdade sabotam qualquer tentativa de inclusão, justiça e progresso social.

É hora de romper com essa lógica perversa. Nenhum país sério prospera sacrificando seus aposentados, seus trabalhadores e suas famílias. O Brasil precisa, sim, de responsabilidade fiscal — mas precisa, acima de tudo, de responsabilidade social. E esta começa com a verdade, com a coragem de nomear os culpados e com o compromisso inegociável de defender os que sempre foram deixados para trás.

Imagem: Reprodução IA

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