O Brasil atravessa uma das mais graves e vergonhosas crises políticas de sua história recente. O que vemos agora é a consequência direta do maior erro eleitoral cometido por parte do povo brasileiro: eleger Jair Bolsonaro à Presidência da República e empoderar uma bancada de extrema direita no Congresso Nacional. Hoje, essa escolha maldita cobra seu preço. E cobra caro.
Estamos assistindo, em tempo real, a um ataque coordenado à soberania brasileira, articulado entre Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e a família Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o “filho 03” de Jair Bolsonaro, declarou abertamente sua intenção de permanecer em solo americano buscando mais sanções econômicas contra o Brasil.
Sim, um deputado federal eleito pelo povo brasileiro, com mandato vigente, está nos Estados Unidos pedindo de joelhos ao governo Trump que puna o Brasil. E tudo isso como retaliação porque a Justiça brasileira, através do STF, cumpriu sua função constitucional ao tornar Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado, coação institucional e ameaça à democracia.
Eduardo Bolsonaro, que agora vive em autoexílio nos EUA, não esconde: se voltar ao Brasil, será preso. O motivo? Está sendo investigado por envolvimento na articulação golpista que resultou nos atos terroristas de 8 de janeiro de 2023 e por possível participação em planos de assassinato contra o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, articulados, segundo investigações, por Jair Bolsonaro, inconformado com a derrota nas urnas.
Agora, ao invés de responder à Justiça como qualquer cidadão comum, Eduardo se refugia nos braços da extrema direita norte-americana, tentando transformar a economia brasileira em refém de uma chantagem política grotesca.
As tarifas de 50% impostas por Trump aos produtos brasileiros — que já entraram em vigor — não são apenas uma medida protecionista: são parte de um plano orquestrado para desestabilizar o governo brasileiro e obrigar o país a conceder “anistia ampla, geral e irrestrita” aos golpistas, incluindo seu pai.
Não bastasse a traição de trabalhar contra seu próprio país, Eduardo Bolsonaro ainda teve a desfaçatez de minimizar os impactos econômicos das tarifas: “Nenhum fazendeiro me ligou”, disse ele, ironizando os mais de 100 mil empregos ameaçados, os bilhões em perdas no agronegócio e a ruína de pequenas e médias exportadoras brasileiras.
Segundo levantamento do Estadão/Broadcast, 82% das exportações do agronegócio brasileiro foram atingidas pela tarifa imposta por Trump — produto direto da conspiração bolsonarista no exterior.
Eduardo também pressiona abertamente as lideranças do Congresso Nacional. Ameaça Hugo Motta (presidente da Câmara) e Davi Alcolumbre (presidente do Senado) com sanções internacionais, caso não avancem com pedidos de impeachment contra Moraes ou não pautem a vergonhosa proposta de anistia aos golpistas.
Em um Estado de Direito sério, tais declarações seriam suficientes para cassação de mandato e prisão imediata por traição à pátria.
Como se não bastasse, Eduardo diz que visita “quase toda semana” a Casa Branca, onde mantém contatos frequentes com figuras ligadas ao trumpismo mais radical, como Steve Bannon, María Elvira Salazar, Chris Smith e Richard McCormick — todos defensores do autoritarismo, da desinformação e da intervenção estrangeira na política dos países latino-americanos.
O Brasil vive um momento delicado. As instituições democráticas estão sendo testadas ao limite. O silêncio de parte da imprensa, a cumplicidade de setores do agronegócio e a omissão do Congresso diante dessa conspiração são alarmantes. É preciso nomear o que está diante de nós: uma tentativa de sabotagem ao Estado brasileiro, orquestrada de dentro e de fora do país, com o apoio declarado de um deputado federal traidor da pátria.
Enquanto isso, o presidente Lula mantém a firmeza institucional que o momento exige, ao lado do STF e das Forças Armadas que ainda respeitam a Constituição. Mas é preciso mais: é preciso que o povo brasileiro compreenda que a extrema direita não tem compromisso com a soberania, com o emprego, com a economia ou com a vida nacional. Seu único projeto é o poder, a qualquer custo, mesmo que isso signifique destruir o Brasil.
Por Damatta Lucas – Imagem: ChatGPT


