Não é de hoje que o poderoso grupo midiático do Brasil se comporta como um bunker da elite econômica e política brasileira. Uma espécie de QG do conservadorismo envernizado de isenção, que repete — com outras caras, outras vozes e o mesmo cheiro — a estratégia que usou para apoiar a ditadura militar: desmoralizar, perseguir e sabotar qualquer governo progressista que ouse ameaçar os privilégios históricos dos muito ricos. A linha editorial do grupo, especialmente em tempos de avanço popular, é uma verdadeira engrenagem de guerra contra quem tenta mexer na estrutura podre da desigualdade no Brasil.
É impressionante como a história se repete, sem nenhum pudor. Foi assim com Lula nos anos 2000. Foi assim com Dilma, cujo linchamento midiático por esse grupo e congêneres serviu de combustível para o impeachment fraudulento de 2016 — um golpe institucional travestido de legalidade que abriu as portas do inferno bolsonarista. Agora, antes mesmo das eleições de 2026 entrarem no radar popular, esse conglomerado midiático já afia suas garras novamente.
Nos últimos dias, o jornal carro-chefe dessa emissora vem gastando seus minutos preciosos — que deveriam servir ao interesse público — em um espetáculo editorial cujo único objetivo é desmoralizar o governo de plantão atual. A pauta da vez é o embate entre Executivo e Legislativo sobre a questão tributária. Lula afirma que quer justiça fiscal. Quer taxar super-ricos. Quer aliviar o peso que a classe trabalhadora carrega nas costas há décadas. Mas isso, para esse grupo, é “absurdo”. Inaceitável.
Num editorial atrevido desta semana, a máscara caiu de vez. Sem meias palavras, o jornal condena o movimento popular por justiça tributária, protege os figurões do centrão e trata como “perturbadora” a simples ideia de chamar o Congresso — esse mesmo Congresso atolado em escândalos, chantagens e fisiologismo — de inimigo do povo. Ora, não é isso o que ele tem sido?
O que esse grupo chama de “radicalização” nada mais é do que clamor popular por equidade. Taxar grandes fortunas, lucros e dividendos não é radicalismo — é justiça. Mas essa empresa prefere blindar os bilionários da Faria Lima e atacar militantes que ocuparam, simbolicamente, uma agência bancária exigindo o óbvio: que os ricos paguem a conta que sempre deixaram para os pobres.
Em vez de debater a imoralidade das isenções fiscais que consomem R$ 544 bilhões do orçamento público — muitas delas sem retorno social, sem critério técnico, criadas para agradar empresários e manter alianças —, o jornal se dedica a pintar de “extremismo” qualquer tentativa de mudar o modelo tributário que concentra renda como poucos países no mundo.
Editoriais são panfletos contra a democracia econômica. Apresenta-se como neutro, mas é abertamente um instrumento de chantagem das elites. Rejeita o protagonismo do povo, criminaliza a mobilização social e atua como porta-voz oficial de um Congresso capturado por lobbies, bancadas milionárias e um centrão que só conhece o verbo ‘barganhar‘.
Esse padrão de atuação não é acidente. É projeto. É método. Esse grupo não quer um país mais justo, quer um país previsível para o mercado, submisso ao capital financeiro, obediente ao receituário neoliberal e eternamente controlado por uma elite que nunca teve apreço por democracia — nem a política, muito menos a social.
Quando o povo começa a se organizar, o grupo aciona sua artilharia. Usa seus âncoras como paladinos da moral seletiva, seus economistas como oráculos de dogmas pró-mercado, e seus editoriais como trincheiras contra qualquer avanço que beneficie quem vive do trabalho, e não da especulação.
Mas os tempos estão mudando. A crítica à grande mídia, antes restrita à esquerda organizada, hoje ganha o apoio de amplos setores da sociedade. A tentativa desesperada desse grupo de associar o uso da expressão “inimigo do povo” ao totalitarismo é, na verdade, a prova do desespero: eles sabem que estão sendo desmascarados.
A pergunta que fica é: até quando o Brasil tolerará um oligopólio de comunicação que atua sistematicamente contra o interesse nacional? Até quando aceitaremos que um grupo com histórico de apoio à ditadura, que interferiu em eleições, manipulou narrativas e blindou escândalos, continue a se apresentar como paladino da democracia?
(Evitamos citar nomes para não sofrer da fúria da perseguição)
Por Damata Lucas


