Por Redação, com informações de Jamil Chade | Vero Notícias
Agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) soaram o alerta diante de indícios cada vez mais fortes de que ações recentes do bolsonarismo não seriam apenas iniciativas isoladas de extremistas, mas parte de uma engrenagem internacional articulada — com apoio direto da CIA e aval do ex-presidente Donald Trump, nos Estados Unidos.
Segundo revelou o colunista Jamil Chade, do portal Vero Notícias, cresce dentro da inteligência brasileira a convicção de que há uma ofensiva deliberada para desestabilizar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O suposto plano envolveria cooperação com serviços secretos norte-americanos, retórica beligerante e até sanções econômicas camufladas, como o chamado “tarifaço” imposto por Trump ao Brasil, visto por analistas como a “cereja do bolo” dessa operação.
“Trata-se de um típico roteiro elaborado pela CIA, alimentando atores nacionais para justificar um interesse estratégico estrangeiro”, afirmou um agente da Abin lotado no exterior, sob condição de anonimato.
Bolsonarismo sob proteção estrangeira
A Abin vê como sintomática a radicalização do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que intensificou ataques à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional. A leitura dos agentes é de que ele age com a sensação de estar protegido por interesses internacionais, replicando a lógica do movimento trumpista nos EUA: discursos de enfrentamento, vitimização e guerra contra o “sistema”.
Analistas apontam que o enredo segue uma cartilha já conhecida:
- um ex-presidente “amado pelo povo” e “perseguido politicamente” (Jair Bolsonaro),
- “exilados” como Allan dos Santos e Paulo Figueiredo,
- e um suposto “regime autoritário” personificado por Lula e Alexandre de Moraes.
A palavra-chave, segundo fontes da Abin, é desestabilização. O objetivo seria fragilizar a governabilidade de Lula, criar um clima de ilegitimidade e preparar o terreno para que, em 2026, o Brasil tenha um aliado incondicional do trumpismo na Presidência da República.
Diplomacia ignorou sinais de alerta
Ainda em agosto de 2024, meses antes das eleições norte-americanas, diplomatas brasileiros chegaram a propor um mapeamento de interlocutores próximos de Trump e sugeriram traçar um perfil psicológico do ex-presidente americano. O plano era compreender vulnerabilidades e antecipar possíveis choques com um eventual segundo mandato trumpista.
Mas o alerta ficou engavetado. Nada foi implementado no Itamaraty nem no Palácio do Planalto. Agora, com o “tarifaço” e o acirramento do discurso antidemocrático nas redes, diplomatas avaliam que o país pode entrar em um ciclo prolongado de instabilidade política e econômica.
“Falta apenas um Juan Guaidó brasileiro para se consolidar a tentativa de golpe”, alertou um diplomata com larga experiência internacional, em referência ao opositor venezuelano que contou com apoio explícito dos EUA.
O tarifaço como arma geopolítica
O aumento de tarifas sobre produtos brasileiros por parte do governo Trump não seria apenas uma medida comercial. Segundo os bastidores ouvidos pela reportagem, trata-se de um instrumento de pressão política, com forte carga simbólica e retórica, somado à tentativa de minar o prestígio internacional do Brasil.
Fechamento de canais diplomáticos, sabotagem digital e desinformação coordenada compõem o tabuleiro de um jogo que transcende fronteiras — e que, segundo a Abin, tem como alvo central o retorno da extrema direita ao poder em 2026.
Imagem: ChatGPT


