O Brasil vive hoje uma encruzilhada histórica. De um lado, a Justiça cumpre seu papel ao julgar Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado. Do outro, parlamentares da direita e da extrema direita conspiram nos bastidores para rasgar a Constituição e impor uma anistia geral, um verdadeiro salvo-conduto para golpistas e criminosos políticos.
A democracia brasileira, ainda jovem, está sob ataque de dentro do próprio Congresso Nacional. Os mesmos personagens que, se o golpe tivesse dado certo, estariam hoje de braços dados com a ruptura institucional, articulam para blindar Bolsonaro e sua cúpula, em desprezo absoluto à vontade da maioria do povo brasileiro, que reconhece o ex-presidente como protagonista da tentativa de golpe.
A ofensiva da anistia
Enquanto o Supremo Tribunal Federal avança no julgamento, o PL de Bolsonaro, com o apoio de partidos como Republicanos, União Brasil e PP, pressiona para votar, em regime de urgência, um projeto de anistia. A proposta não é apenas para os extremistas que depredaram Brasília no 8 de Janeiro, mas também para Bolsonaro, generais e políticos investigados no inquérito das fake news.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assumiu protagonismo nesse movimento. Nos bastidores, ele se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-SP), e com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alinhando forças para garantir o perdão coletivo. Seu gesto não é inocente: é um claro aceno à campanha presidencial de 2026.
Não à toa, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), vangloria-se de já ter mais de 300 votos a favor do projeto. Em suas palavras, “se a gente quer zerar o Brasil, tem que ser anistia geral”. Zerar o Brasil, para eles, significa apagar crimes contra a democracia.
A hipocrisia parlamentar
Esses parlamentares, descompromissados com o Estado Democrático de Direito, ignoram o fato de que juristas e a própria sociedade reconhecem a tentativa de golpe. Preferem agradar ao seu líder político do que respeitar a Constituição. São cúmplices de um projeto autoritário que, se não tivesse fracassado, poderia ter mergulhado o Brasil no caos.
O mais grave é que a tentativa de anistia não se limita a um gesto político. Ela é um ataque direto ao STF, que sofre ainda pressão externa: Donald Trump, alinhado a Bolsonaro, já impôs sanções a ministros do Supremo, em clara ingerência sobre a soberania nacional.
A escolha é clara
Ou o Brasil se levanta contra essa anistia vergonhosa ou abre caminho para que novos golpes sejam tentados no futuro. O Congresso, ao se alinhar ao golpismo, coloca-se contra a democracia e contra a maioria da população.
O julgamento em curso no STF não é apenas sobre Bolsonaro e sua turma: é sobre o futuro do Brasil. Se a Justiça for silenciada pela política da anistia, estaremos legitimando que a lei não vale para todos.
O país precisa decidir: democracia com responsabilidade e punição para quem tentou destruí-la, ou anistia para golpistas em nome da conveniência eleitoral?
Por Damatta Lucas – Imagem: Chat GPT


