Artigo: Pressão popular tira IR da gaveta; Congresso está na mira da sociedade

A voz das ruas ecoou no Planalto Central. Enquanto a atenção da Câmara dos Deputados estava voltada para a polêmica PEC da Blindagem – agora rechaçada e enterrada pelo Senado –, um projeto crucial para a população, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, mofava em uma gaveta. A derrota humilhante da PEC no Senado, however, parece ter acendido um sinal de alerta. Sob o olhar agora vigilante de uma população que voltou a medir cada passo do Congresso, como não se via há muito tempo, os deputados correm para mudar o script.

A correção de rota foi imediata. Nesta quarta-feira (24), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou um projeto que, a partir de 2026, isenta de IR quem aufere rendimentos mensais de até R$ 5 mil. A proposta, que corrige uma distorção histórica (a faixa atual de isenção é de apenas R$ 3.036), também cria alíquotas decrescentes para rendas entre R$ 5.001 e R$ 7.350 e, em um movimento de justiça fiscal, estabelece um Imposto de Renda Mínimo para as grandes fortunas, taxando rendas anuais superiores a R$ 600 mil.

Jogo político e correria para a foto

O avanço da proposta no Senado, de autoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM) e relatada por Renan Calheiros (MDB-AL), tem como pano de fundo uma disputa pessoal e política com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Renan não poupou críticas ao destacar que a proposta similar do governo Lula jazia paralisada na Câmara, justamente sob a relatoria de Lira.

A jogada de Renan forçou a mão de Lira. Na esteira da rejeição da PEC da Blindagem, o Planalto não poderia carregar o estigma de ser o “congresso da blindagem” e não “do povo”. Nesta terça (23), o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente em exercício da Câmara, anunciou às pressas que o projeto do governo será votado na próxima semana. É uma corrida contra o relógio e pela imagem: quem levará o crédito por um benefício tão popular?

O povo no centro da mira

Por trás dos bastidores, a percepção é clara: o eleitor acordou. A sociedade civil, cansada de ver pautas de interesse da elite tramitando a jato enquanto projetos para a base definham, está de olho. A aprovação desta reforma do IR não é mais apenas uma promessa de campanha de Lula ou uma manobra entre caciques políticos. Tornou-se um termômetro da responsividade do Congresso à vontade popular.

Se aprovado, o projeto injetará bilhões na economia através do aumento do consumo das famílias de baixa e média renda. Mas, mais do que isso, sua tramitação rápida sinalizará que os deputados e senadores entenderam a mensagem das ruas: o povo está fiscalizando. E, depois do fiasco da blindagem, o Congresso não pode mais se dar ao luxo de ignorar esse novo, e vigilante, protagonista na praça: o cidadão.

Por Damatta Lucas – Imagem: ChatGPT

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