Enquanto parte da imprensa tradicional insiste em poupar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de qualquer desgaste político, um dos maiores escândalos financeiros do estado estoura bem dentro da sua gestão. Trata-se da Operação Ícaro, que revelou um esquema de corrupção bilionário na Secretaria da Fazenda e Planejamento do Governo de São Paulo – e que já tem empresários de peso entre os beneficiados.
Na sexta-feira (22), o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu habeas corpus ao empresário Sidney Oliveira, dono da rede Ultrafarma, suspendendo o pagamento da fiança que havia sido estipulada em R$ 25 milhões. A decisão também beneficiou o empresário Mário Gomes, do grupo Fast Shop, que igualmente poderá permanecer em liberdade sem pagar valores à Justiça.
Ambos estavam soltos desde 15 de agosto, quando o Ministério Público avaliou que não representavam risco às investigações. O argumento da Justiça, agora, é de que o valor estipulado como fiança seria “abusivo” e muito acima da renda anual declarada por Oliveira.
O coração do esquema: R$ 1 bilhão em propina
De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os empresários participaram de uma engrenagem de fraudes dentro da Secretaria da Fazenda. O esquema consistia em manipular créditos de ICMS, inflando valores que as empresas poderiam descontar. Na prática, uma rede de corrupção que funcionava como um “cashback turbinado” para empresários privilegiados.
À frente das operações ilegais estava o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, acusado de liderar a manipulação contábil e receber mais de R$ 1 bilhão em propina. Diferentemente dos empresários, o auditor segue preso.
A blindagem política e o silêncio conveniente
Apesar da gravidade do caso, o nome de Tarcísio de Freitas aparece protegido no noticiário da chamada grande imprensa. O governador, cotado como um dos nomes fortes da direita para as eleições presidenciais de 2026, pouco ou nada tem sido associado ao escândalo.
Mas é dentro da estrutura de seu governo que o caso explodiu. A Secretaria da Fazenda, epicentro das fraudes, responde diretamente ao Executivo estadual. Ainda assim, o silêncio midiático em torno da responsabilidade política de Tarcísio é evidente – uma blindagem que lembra a forma como certos grupos de comunicação tratam seus “queridinhos” eleitorais.
Investigações continuam
Segundo o MP-SP, as investigações do GEDEC (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos) seguem em andamento, independentemente da liberdade de Oliveira e Gomes. O Ministério Público promete rastrear o fluxo do dinheiro e os beneficiários diretos e indiretos do esquema.
Enquanto isso, paira no ar a pergunta que muitos tentam evitar: até onde o escândalo respinga no governador Tarcísio de Freitas?
Por Damatta Lucas – Imagem: Chat


