Nos últimos dias, circula nas redes sociais e em sites alinhados ao bolsonarismo uma suposta ameaça de que os Estados Unidos, sob influência de Donald Trump, poderiam bloquear o sinal de GPS no Brasil. A medida seria uma forma de “retaliação” pelo julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ou, como alguns alegam, uma resposta ao fortalecimento do BRICS.
Mas o alerta é falso, segundo especialistas em geopolítica e sistemas de navegação. Além de não haver nenhuma declaração oficial dos EUA sobre o tema, o bloqueio é considerado tecnicamente inviável e economicamente prejudicial, inclusive para os próprios norte-americanos.
O que é alegado?
A teoria espalhada por sites e perfis extremistas diz que Trump, ao reassumir influência global, estuda “punir” o Brasil desligando o acesso ao GPS – sistema global de navegação via satélite administrado pelo governo dos EUA. A ação afetaria setores como:
- Agricultura de precisão
- Transporte aéreo e marítimo
- Sistemas bancários e logísticos
- Aplicativos de localização e navegação
O que é real?
- O GPS é um sistema global e aberto, mantido pelos EUA, mas de uso civil gratuito.
- Nenhum país é “conectado individualmente” ao GPS. O sinal é transmitido por satélites em órbita terrestre média, e não há um “botão” para cortar o acesso a um país específico.
- Bloquear o Brasil exigiria desligar a cobertura de toda a América do Sul, o que afetaria empresas norte-americanas, aviões, embarcações e milhões de usuários comuns.
O que é fake ou altamente improvável?
- Não há nenhum comunicado oficial de Trump ou de qualquer autoridade dos EUA indicando sanções tecnológicas contra o Brasil.
- A alegação de que o GPS pode ser usado como “arma diplomática” é tecnicamente inconsistente. Mesmo em tensões com Rússia, China e Irã, os EUA nunca interromperam o acesso civil ao GPS.
- O boato é semelhante a teorias conspiratórias que circulam em anos eleitorais ou períodos de instabilidade.
O que o Brasil usa além do GPS?
O Brasil já opera com sistemas alternativos ao GPS, como:
- GLONASS (Rússia)
- Galileo (União Europeia)
- BeiDou (China)
A maioria dos celulares, tratores e aeronaves modernos é compatível com múltiplos sistemas GNSS (Sistemas Globais de Navegação por Satélite), o que garante redundância e autonomia.
Conclusão
A ideia de que Donald Trump ou qualquer outro governo possa “desligar” o GPS no Brasil é pura desinformação. A narrativa, sem qualquer base técnica ou diplomática, serve mais para alimentar o medo e reforçar discursos políticos de confronto com o Judiciário e com o BRICS.
O Brasil deve, sim, continuar investindo em soberania tecnológica e diversificação de sistemas de navegação. Mas, por ora, o GPS continua firme – e o pânico, infundado.
Da Redação – Imagem: ChatGPT


