Pelos corredores da política em Brasília, corre a informação de que Jair Bolsonaro (PL) já não quer mais saber de novas sanções impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil. O motivo? O ex-presidente, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), teme que qualquer escalada nas pressões externas sepulte de vez sua última esperança: a possibilidade de trocar a prisão em regime fechado no Complexo da Papuda por prisão domiciliar.
Em conversas reservadas, Bolsonaro teria orientado seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a convencer o governo norte-americano a interromper os ataques contra o Brasil. O ex-presidente sabe que, quanto mais Trump e aliados como o senador Marco Rubio insistirem em castigar o país, mais difícil será sensibilizar o STF para um eventual “acordo humanitário” que o tire da cela e o leve para casa.
O teatro bolsonarista x a realidade
Enquanto isso, nas aldeias digitais bolsonaristas, a ordem é outra: seguir clamando por retaliações dos EUA contra o Brasil, tanto econômicas quanto políticas. A ideia é expandir a aplicação da famigerada Lei Magnitsky contra ministros do STF, familiares de Alexandre de Moraes e até membros da Procuradoria-Geral da República. Eduardo Bolsonaro, em sua cruzada internacional, já chegou ao cúmulo de falar em “mandar caças F-35 e porta-aviões” para as águas brasileiras.
Só que, no mundo real, Jair Bolsonaro já percebeu que esse jogo é perigoso. Cada nova ameaça vinda de Washington enterra suas chances de conseguir a sonhada prisão domiciliar. Fontes em Brasília confirmam: se houver novas sanções contra o Brasil, o STF rejeitará qualquer pedido de abrandamento da pena, mantendo o ex-presidente sob regime fechado na Papuda — seu maior temor.
A hipocrisia de Washington
As declarações do senador Marco Rubio, anunciando novas retaliações após a condenação de Bolsonaro, expõem um absurdo: um país estrangeiro ameaçando uma nação soberana por aplicar suas próprias leis. Ao contrário dos Estados Unidos, que não conseguiram julgar Donald Trump nem responsabilizá-lo pela invasão ao Capitólio, o Brasil deu uma resposta firme e democrática ao golpismo.
A Justiça brasileira não se dobrou. Julgou, condenou e reafirmou a independência de suas instituições. Não adianta Trump ou Rubio falarem em sanções contra ministros e autoridades brasileiras: o país não se curva a ameaças.
O dilema de Bolsonaro
Nos bastidores, circula a lembrança de um suposto “acordo” discutido durante o Fórum de Lisboa, em julho, que previa Bolsonaro cumprir algumas semanas de prisão e, em seguida, ser transferido para regime domiciliar. Esse aceno desapareceu após as primeiras sanções americanas. Agora, diante das novas ameaças de Rubio, a possibilidade é zero.
Por Damatta Lucas, com informações da Revista Fórum – Imagem: ChatGPT


