Por Damatta Lucas, para site Clique PI
A nova escalada de violência envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel reacendeu temores de um conflito de proporções imprevisíveis no Oriente Médio. O estopim foi uma ofensiva aérea conduzida por Washington e Tel Aviv contra alvos estratégicos iranianos, sob a justificativa de neutralizar o programa nuclear do regime. A retaliação de Teerã veio com mísseis e drones contra Israel e bases norte-americanas na região. A morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, elevou dramaticamente o nível da crise e abriu um cenário de instabilidade profunda, com o fechamento do Estreito de Ormuz e risco concreto de alastramento regional.
Diante desse quadro, o embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez um alerta contundente: o Brasil deve se preparar para o pior. A declaração não sugere envolvimento militar, mas sim prudência estratégica. Para Amorim, o crescimento vertiginoso das tensões e o histórico de apoio iraniano a grupos armados na região ampliam o risco de um conflito prolongado e multifacetado. A diplomacia brasileira, segundo ele, precisa manter o equilíbrio entre preservar o diálogo internacional — inclusive com o presidente Donald Trump, com quem Lula poderá se reunir nas próximas semanas — e sustentar a credibilidade histórica do país como defensor do direito internacional e da solução pacífica de controvérsias.
Mas o que significa, na prática, “preparar-se para o pior”? Para o Brasil, os impactos são principalmente econômicos e geopolíticos. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo, pode provocar disparada no preço do barril e pressionar combustíveis, fretes e inflação interna. Além disso, há risco de volatilidade cambial, retração de investimentos e instabilidade nos mercados globais. O Brasil, como exportador de commodities e dependente de insumos internacionais, precisa reforçar estoques estratégicos, monitorar cadeias logísticas e fortalecer sua política energética para reduzir vulnerabilidades externas.
No campo diplomático, o desafio é ainda mais delicado. O governo brasileiro já manifestou preocupação com a escalada e defendeu a interrupção das ações militares, por meio de nota do Itamaraty. Contudo, a forma como o Brasil se posiciona pode influenciar relações comerciais e políticas com potências globais. Em um mundo cada vez mais polarizado, a tradição diplomática brasileira de não alinhamento automático e defesa do multilateralismo pode ser testada. Preparar-se, portanto, não é apenas reagir a choques externos, mas investir em inteligência estratégica, coordenação interministerial e capacidade de resposta rápida.
Se o conflito se prolongar, seus efeitos serão sentidos nos preços, na economia e na política internacional. O Brasil não está no front militar, mas está no tabuleiro global. Antecipar cenários, reforçar a diplomacia e proteger a economia interna são medidas essenciais para enfrentar uma crise que, embora distante geograficamente, pode ter consequências muito próximas do cotidiano dos brasileiros.
Imagem: Chat GPT


