Durante a abertura do 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), nesta quinta-feira (17), em Goiânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi claro: o Brasil não aceitará intimidações e vai tributar as big techs estrangeiras. A resposta veio diretamente contra as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tentou pressionar o Brasil a recuar na regulamentação das plataformas digitais e no combate à desinformação.
“Esse país só é soberano porque o povo brasileiro tem orgulho desse país“, declarou Lula, em discurso firme diante de milhares de estudantes. A fala foi uma resposta às críticas de Trump, que teria afirmado que empresas de tecnologia americanas não deveriam ser tributadas no Brasil. Lula foi categórico: “Vamos julgar e cobrar imposto das empresas digitais americanas. Não aceitamos discurso de ódio disfarçado de liberdade de expressão”.
A ofensiva brasileira ocorre num contexto de crescente preocupação mundial com o poder das big techs na disseminação de mentiras, violência e discurso de ódio — especialmente contra crianças, mulheres, negros e a população LGBTQIA+. “Não vamos permitir que nossas crianças sejam vítimas de um ambiente digital sem regras. Aqui, quem manda é o povo brasileiro!”, enfatizou o presidente.
Trump aumenta tarifas contra o Brasil e recebe resposta dura
Além do embate digital, Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e ainda autorizou uma investigação formal contra o país com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, acusando o Brasil de práticas comerciais desleais e má gestão ambiental.
A resposta de Lula veio na CNN Internacional, em entrevista à jornalista Christiane Amanpour. O presidente não deixou dúvida sobre o tom da reação brasileira: “Se não conseguirmos um acordo, vamos à OMC. Podemos também aplicar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso ou formar um bloco de países para responder à altura”.
Lula ainda rebateu diretamente o tom imperial da Casa Branca: “Lamento que dois países com uma relação de 201 anos precisem brigar porque um presidente não respeita a soberania do outro. O presidente dos Estados Unidos foi eleito para governar os EUA, não o mundo.”
A Casa Branca respondeu às declarações de Lula com mais ataques. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que Trump é o “líder do mundo livre” e acusou o Brasil de ter “fraca proteção à propriedade intelectual”, além de tolerar o desmatamento ilegal. A retórica foi vista como mais uma tentativa de descredibilizar o Brasil em foros internacionais e justificar a escalada tarifária.
Brasil expõe hipocrisia comercial dos EUA
Lula desmontou o argumento americano de déficit comercial: “Trump está mal informado. Os EUA não têm déficit com o Brasil. O Brasil tem um déficit de 400 bilhões de dólares em 15 anos com os EUA. Eu que deveria taxar ele”.
A chamada Lei de Reciprocidade, sancionada por Lula esta semana, é uma das cartas mais fortes do governo brasileiro. Ela permite retaliar, na mesma medida, qualquer ação estrangeira que prejudique os interesses do Brasil.
Soberania acima de ameaças
Em tempos de tensões geopolíticas, o governo Lula aposta no diálogo, mas deixa claro que não cederá à chantagem. “Se Trump quiser conversar seriamente, estou à disposição. Mas não aceitaremos imposições”, afirmou.
A posição brasileira ganha força num cenário internacional onde cresce o apelo por regulação digital e justiça comercial. O Brasil, que já liderou o G20 e o BRICS com protagonismo, agora se posiciona como voz firme em defesa da soberania dos países do Sul Global.
Da Redação – Imagem: ChatGPT


