Brasil reage a ameaças dos EUA: Porta-voz afirma que Trump pode até usar poder militar contra o país pelo julgamento de Bolsonaro

Por Damatta Lucas

O Brasil enfrenta, neste momento, um duplo desafio: julgar, com todo o rigor da lei, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus cúmplices pela tentativa de golpe de Estado em 2022, e, ao mesmo tempo, resistir a uma ofensiva externa que atenta contra a nossa soberania.

Na manhã desta terça-feira (9), a embaixada dos Estados Unidos em Brasília voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que julga Bolsonaro e outros sete réus acusados de tramar contra a democracia brasileira. Em postagem nas redes sociais, a embaixada afirmou que continuará a adotar “medidas cabíveis” contra o ministro, insinuando até mesmo a aplicação de sanções.

A atitude soma-se a declarações da Casa Branca, pela voz da porta-voz Karoline Leavitt, que, em tom abertamente intervencionista, afirmou que o presidente Donald Trump “não tem medo de usar o poderio econômico e militar” dos Estados Unidos para proteger o que chama de “liberdade de expressão”. Na prática, trata-se de uma ameaça direta à independência de um país soberano e a uma tentativa de pressionar o Judiciário brasileiro em pleno andamento do julgamento de Bolsonaro.

Julgamento histórico

No Supremo, Jair Bolsonaro responde pelo crime mais grave contra a democracia: a conspiração para reverter o resultado das eleições de 2022 e impedir a posse do presidente legitimamente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. O processo envolve também lideranças políticas, militares e civis que participaram da articulação golpista, culminando nos ataques e depredações de 8 de janeiro de 2023.

É nesse contexto que as ameaças vindas de Washington se tornam ainda mais graves. Ao agir como verdadeiro interventor em nações democráticas, Trump tenta impor seu império, transformando a “liberdade de expressão” em escudo para proteger criminosos políticos que atentaram contra o Estado de Direito.

Conspiração e traição

As investidas norte-americanas não surgem do nada. Elas têm sido alimentadas pela própria família Bolsonaro, especialmente pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que articula em Washington para que sanções sejam impostas ao Brasil. Como denunciou a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, trata-se do “cúmulo da conspiração contra a pátria”.

“Não bastam as tarifas contra nossas exportações, as sanções ilegais contra ministros e suas famílias, agora ameaçam invadir o Brasil para livrar Jair Bolsonaro da cadeia. Isso é totalmente inadmissível”, afirmou Gleisi, defendendo ainda a cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro.

Resposta do Brasil

O Itamaraty foi categórico ao reagir. Em nota, repudiou qualquer tentativa de intimidação por parte de governos estrangeiros:

“O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é justamente defender a democracia e respeitar a vontade popular expressa nas urnas. O governo brasileiro repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais.”

O presidente Lula, em discurso em Manaus, reforçou a denúncia de traição da família Bolsonaro: “Esses caras tiveram a pachorra de mandar gente para os Estados Unidos para falar mal do Brasil e para condenar o Brasil”, disse, lembrando que os crimes cometidos serão julgados pelo STF, com base na lei e na Constituição.

Soberania não se negocia

O gesto de Donald Trump e de seus porta-vozes deve ser condenado não apenas pelo Brasil, mas por todas as nações democráticas. Nenhum país pode aceitar que potências estrangeiras utilizem sua força militar ou econômica para intervir em processos internos, muito menos em julgamentos de líderes acusados de atentar contra a democracia.

O Brasil não aceitará ameaças, nem se curvará a pressões externas. A soberania nacional não se negocia, não se intimida, não se dobra. E qualquer tentativa de transformar nosso país em peça de um jogo imperialista encontrará a resistência firme de seu povo, de suas instituições e de suas lideranças democráticas.

Imagem: ChatGPT

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