Brasil se mobiliza para evitar tarifaço de Trump: empresários, senadores e governo articulam ofensiva final

A menos de dez dias da entrada em vigor do chamado “tarifaço” de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos importados do Brasil, o governo brasileiro, representantes do setor empresarial e uma comitiva de senadores preparam uma ofensiva diplomática e econômica em Washington para tentar barrar a medida, prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto.

Pressão empresarial nos EUA

Duas ações principais estão em curso para tentar sensibilizar a Casa Branca. A primeira é uma nova carta da US Chamber of Commerce, a mais poderosa entidade empresarial dos Estados Unidos, com um apelo direto ao governo norte-americano. O documento detalha os potenciais danos que as tarifas podem causar não só à economia brasileira, mas também ao próprio mercado americano, especialmente nos setores agrícola e industrial, altamente interligados com o Brasil.

A segunda estratégia é apresentar um pacote de investimentos de US$ 7 bilhões de empresas brasileiras em território americano. A iniciativa é liderada pelo Fórum de CEOs Brasil-EUA, composto por 12 líderes empresariais de cada país. Embora muitos desses investimentos já estivessem em andamento ou planejados, a ideia é mostrar a Trump que o Brasil é um parceiro estratégico, responsável por gerar milhares de empregos nos Estados Unidos — uma linguagem que pode ecoar bem junto à sua base política.

Senadores buscam diálogo direto com aliados de Trump

No campo político, uma comitiva de seis senadores brasileiros embarca neste domingo (27) rumo a Washington. A missão: buscar o apoio de congressistas republicanos com acesso direto a Trump, incluindo o influente senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul. Considerado um dos mais próximos do ex-presidente, Graham é defensor de sanções comerciais contra países que mantêm relações comerciais com a Rússia.

Em entrevista à Fox News na última segunda-feira (21), Graham afirmou que é preciso “esmagar as economias” de quem compra petróleo russo barato — citando Brasil, Índia e China. Os senadores brasileiros querem contrapor essa narrativa, alertando para o risco de um reposicionamento do Brasil ainda mais alinhado à China, caso os EUA adotem medidas unilaterais e punitivas.

Participam da missão os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Jaques Wagner (PT-BA), Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP), Rogério Carvalho (PT-SE) e Fernando Farias (MDB-AL).

Setor privado americano também teme retaliações

Durante a visita, os senadores também se reunirão com executivos de multinacionais americanas, como a Corteva Agriscience — gigante do setor de sementes agrícolas formada pela fusão da Dow, DuPont e Pioneer. O Brasil é um dos principais mercados da empresa, que vê com preocupação uma possível retaliação do governo Lula, como a quebra de patentes de sementes, caso o tarifaço seja confirmado.

A Corteva, segundo fontes do setor, tem interesse direto em uma solução negociada, e pode se tornar uma importante aliada do Brasil nesse impasse comercial.

Governo brasileiro abre espaço para negociação

Além da mobilização empresarial e parlamentar, o governo brasileiro tem sinalizado aos americanos que está disposto a negociar pontos de interesse direto da Casa Branca. Entre os temas colocados à mesa estão:

  • Garantia de fornecimento seguro de minerais críticos, como lítio e nióbio;
  • Aceleração no registro de patentes farmacêuticas pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), demanda antiga de empresas americanas;
  • Redução da tarifa de 18% sobre o etanol importado, o que beneficiaria diretamente o etanol de milho produzido nos EUA.

Risco de escalada comercial

O impasse representa um dos momentos mais delicados nas relações Brasil-EUA desde a retomada das negociações bilaterais. O temor, entre diplomatas e empresários, é que a imposição das tarifas por Trump acirre uma guerra comercial com desdobramentos políticos e estratégicos mais amplos, empurrando o Brasil ainda mais para a esfera de influência da China.

O “Dia D” está marcado para o 1º de agosto. Até lá, o Brasil joga suas últimas cartas para evitar um conflito econômico de grandes proporções.

Da Redação – Imagem: ChatGPT

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