Por Antonio Luiz Moreira Bezerra
Um marco histórico foi anunciado nesta segunda-feira (28), durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada na Etiópia: o Brasil está oficialmente fora do Mapa da Fome. O dado, divulgado no relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025” (SOFI 2025), elaborado pela FAO, agência da ONU para a alimentação, representa mais do que uma estatística — simboliza o reencontro do país com uma política pública de combate à miséria e promoção da dignidade.
Segundo o relatório, o país voltou a ficar abaixo do índice de 2,5% da população em situação de subalimentação crônica — limiar estabelecido pela FAO para considerar que um país saiu do Mapa da Fome. O dado consolida o desempenho do Brasil no triênio 2022-2024 e marca o fim de um ciclo sombrio iniciado durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que o Brasil havia regressado ao Mapa da Fome após ter sido referência mundial na superação da miséria alimentar.
Um retrocesso trágico sob Bolsonaro
O Brasil havia deixado o Mapa da Fome em 2014, ainda sob o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff, após anos de políticas públicas voltadas à redução da pobreza, valorização do salário mínimo, inclusão produtiva e fortalecimento da agricultura familiar. Mas o cenário mudou drasticamente.
Entre 2018 e 2020, o país voltou a integrar a lista das nações com população em grave insegurança alimentar. Dados das Nações Unidas apontam que 7,5 milhões de brasileiros passaram fome durante esse período, praticamente o dobro do registrado entre 2014 e 2016, quando eram cerca de 3,9 milhões. O desmonte de programas sociais, o abandono das políticas de apoio à agricultura familiar, a negligência com a alimentação escolar e o aumento da pobreza foram fatores determinantes nesse retrocesso.
A volta do Brasil ao Mapa da Fome foi tratada por especialistas e organizações internacionais como um alerta humanitário e uma denúncia da omissão deliberada do Estado frente a uma das mais urgentes crises sociais do século XXI.
A reconstrução começa com comida no prato
Em apenas dois anos de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reverteu essa realidade. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome destacou que a saída do Mapa da Fome foi resultado de decisões políticas firmes, baseadas em cinco pilares:
- Redução da pobreza e da desigualdade;
- Geração de emprego e renda;
- Reforço à agricultura familiar;
- Retomada do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE);
- Promoção do acesso à alimentação saudável.
Em suas redes sociais, o presidente Lula celebrou a conquista com um recado claro: “O Brasil está fora do Mapa da Fome, mais uma vez. Isso mostra que com políticas públicas sérias e compromisso com o povo, é possível combater a fome e construir um país mais justo e solidário.”
O que é o Mapa da Fome?
Criado pela FAO, o Mapa da Fome é baseado no índice de Prevalência de Subnutrição (PoU), que leva em conta três variáveis: a disponibilidade de alimentos no país, o acesso da população a esses alimentos (influenciado por renda e distribuição), e a quantidade mínima de calorias necessárias para uma vida saudável.
O dado é sempre calculado com base em médias trienais, o que significa que o desempenho atual reflete os esforços do governo federal desde o início de 2023.
Mais do que um número: uma luta contínua
Apesar do avanço, a batalha contra a fome ainda não terminou. Mais de 70 milhões de brasileiros vivem em algum grau de insegurança alimentar, e o desafio de garantir alimentação adequada, saudável e acessível para todos segue sendo uma prioridade.
A saída do Brasil do Mapa da Fome não é o fim da estrada, mas um recomeço. Um país que já foi exemplo para o mundo precisa retomar seu papel de liderança no combate à fome com políticas públicas sólidas, combate à desigualdade, valorização da vida e respeito à dignidade humana.
Conclusão
A nova exclusão do Brasil do Mapa da Fome é uma vitória do povo brasileiro, mas também um divisor de águas entre dois projetos de país: um que abandona os mais pobres à própria sorte, e outro que entende a comida no prato como um direito básico e inegociável.
A história está sendo reescrita. E, desta vez, com esperança, dignidade — e comida no prato.
Imagem: Agência Brasil


