Brics é o grande pivor por trás da vingança imperial de Donald Trump contra o Brasil

A história se desenha diante dos nossos olhos. E, mais uma vez, o Brasil ocupa o centro do tabuleiro global — não como coadjuvante, mas como protagonista e alvo. A ofensiva liderada por Donald Trump contra os produtos brasileiros, sob o pretexto de defender Jair Bolsonaro, revela muito mais que uma suposta preocupação com democracia ou justiça: trata-se de uma guerra econômica e geopolítica contra o avanço do Brics, capitaneado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Neste sábado, 19 de julho, Lula convocou uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o embaixador Mauricio Lyrio, principal negociador do Brasil no Brics. O motivo é grave: o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre uma lista extensa de produtos brasileiros, uma retaliação direta que coloca em xeque a relação comercial entre os dois países e evidencia o isolamento crescente dos EUA diante da nova ordem multipolar em gestação.

A desculpa: Bolsonaro. O verdadeiro alvo: o Brics.

Nos bastidores de Brasília, o diagnóstico é unânime: Trump está usando o julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal como cortina de fumaça para um ataque coordenado contra o Brics. O bloco, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes, vem avançando em temas sensíveis aos interesses norte-americanos — especialmente a agenda de desdolarização do comércio internacional.

Embora o presidente Lula sempre tenha deixado claro que a criação de uma nova moeda não é prioridade imediata, o desenvolvimento do Brics Pay — sistema de pagamentos internacionais em moedas locais — já causa calafrios em Washington. Trump vê no Brics uma ameaça real à hegemonia americana. E no Brasil de Lula, um símbolo da rebeldia do Sul Global.

Sanções diplomáticas: retaliação ao STF

A retaliação de Trump não se limita ao comércio. Em um gesto inédito e abertamente hostil, os Estados Unidos revogaram os vistos de entrada de oito ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, e o relator da ação contra o golpe de 8 de janeiro, Alexandre de Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi incluído na lista de punições.

O anúncio foi feito por Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, nas redes sociais, logo após Moraes determinar novas restrições a Jair Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Para integrantes do STF, esse gesto, somado à carta enviada por Trump ao ex-presidente brasileiro – em que acusa o “sistema judicial” de perseguição política – indicam que um plano de fuga internacional estava sendo costurado.

O novo mapa da geopolítica global

Trump ameaça abertamente o Brics. Em discurso nesta sexta-feira, 18, voltou a dizer que vai impor 10% de tarifas sobre todas as exportações dos países membros do bloco, caso o grupo se consolide “de modo significativo”. “Nunca podemos deixar ninguém brincar conosco”, disse o presidente norte-americano, em tom imperial.

A frase é reveladora: o mundo multipolar que emerge do Sul Global, com o Brics como articulador, não é apenas uma alternativa econômica — é uma ameaça simbólica ao domínio absoluto dos EUA. E Lula, ao promover a inserção ativa do Brasil nesse novo eixo de poder, passa a ser tratado por Trump como um adversário geopolítico direto.

Lula reage e parte para o contra-ataque

Ao prestar solidariedade pública aos magistrados brasileiros atingidos pela sanção norte-americana, Lula deixou claro que o Brasil não aceitará intimidações. A convocação do chanceler Mauro Vieira e do embaixador Mauricio Lyrio ao Alvorada não tratou apenas da crise com os EUA, mas também da próxima viagem do presidente ao Chile, onde participará de uma reunião sobre a defesa da democracia na América do Sul.

Num momento em que o mundo se polariza entre o autoritarismo disfarçado de soberania e o multilateralismo que busca um novo equilíbrio global, Lula escolheu seu lado — e escolheu enfrentar.


Enquanto Trump sonha em ser imperador do mundo, Lula aposta na diplomacia, no Brics e na reinvenção da política internacional. A história está em movimento. E o Brasil, mais uma vez, está no centro dela.

Por Damatta Lucas – Imagem: ChatGPT

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