Em declarações alarmistas, Flávio e Eduardo Bolsonaro comparam retaliação de Trump a bombas atômicas e pressionam STF por anistia a Jair Bolsonaro
Em um ato de desespero político, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) articularam uma campanha de pressão e chantagem contra o Brasil, condicionando a retirada da tarifa de 50% sobre exportações brasileiras imposta por Donald Trump ao arquivamento de processos contra o patriarca da família. As declarações, repletas de tom beligerante e submissão aos EUA, expõem uma estratégia de intimidação contra as instituições democráticas do país.
“Ou anistiam, ou o Brasil quebra”: Ameaça velada de Eduardo Bolsonaro
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos EUA, disparou ataques virulentos contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, chamando-o de “frouxo” e insinuando que Trump poderia retaliar não só economicamente, mas pessoalmente contra autoridades brasileiras.
“Alexandre de Moraes está com medo. Ele sabe que a Lei Magnitsky pode vir, e do jeito que Trump é, não vai perdoar. Talvez venha pegar a esposa dele, o Fábio Wajngarten, o [ex-diretor da PF] Maurício Valeixo… Agora a bola está com eles. Meu conselho? Se querem resolver, façam logo a anistia ampla, geral e irrestrita”, afirmou Eduardo, em tom de ultimato.
A referência à Lei Magnitsky – mecanismo que permite sanções a violadores de direitos humanos – soa como uma ameaça direta, sugerindo que Trump poderia perseguir judicialmente autoridades brasileiras caso os processos contra Jair Bolsonaro sigam adiante.
Flávio Bolsonaro usa bombas atômicas como analogia e pede rendição do Brasil
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi ainda mais longe, comparando a taxação de Trump aos ataques nucleares dos EUA contra o Japão em 1945. Em entrevista à CNN Brasil, ele defendeu que o governo Lula ceda às exigências norte-americanas para evitar uma “destruição maior”.
“Cabe a nós evitarmos que caiam duas bombas atômicas no Brasil para depois anunciarmos que vamos fazer anistia”, declarou Flávio, em referência clara à pressão para arquivar os processos contra seu pai. “Trump vai fazer o que quiser. Não temos poder de barganha.”
A fala ignora que:
- A balança comercial entre Brasil e EUA é favorável aos norte-americanos desde 2009.
- Trump está claramente usando a tarifa como retaliação política, já que vinculou a medida diretamente ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF.
- A analogia com Hiroshima e Nagasaki é absurda, pois trata uma disputa comercial como um ato de guerra.
Trump condiciona tarifa à liberação de Bolsonaro para 2026
Em postagem em sua rede social, Trump deixou claro que a medida é uma represália ao julgamento do ex-presidente, exigindo ainda que Bolsonaro possa concorrer em 2026 – apesar de sua inelegibilidade até 2030 por decisão do TSE.
A estratégia dos Bolsonaros agora é transformar a crise econômica em moeda de troca política, pressionando o STF a enterrar os processos contra o ex-presidente em troca do fim das tarifas.
Reação política: “Isso é chantagem explícita”
Líderes de oposição e juristas reagiram com indignação. O ex-ministro Carlos Márcio Cozendey afirmou que “não se negocia soberania nacional sob ameaça”. Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) classificou as declarações como “um ato de traição à pátria”.
Enquanto isso, o governo Lula tenta minimizar os impactos da tarifa, mas a pressão dos Bolsonaros joga o Brasil em uma crise geopolítica sem precedentes, onde interesses pessoais são colocados acima da nação.
Da Redação – Imagem: X


