Por Redação
Um crime com contornos de drama passional, vingança e envolvimento com o submundo do crime mobiliza investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em Teresina. Nesta quinta-feira (24), a Polícia Civil do Piauí prendeu Sabrina (sobrenome não divulgado), apontada como a articuladora de um homicídio brutal que tirou a vida de Alef Oliveira de Lima, de 23 anos.
De acordo com o delegado Bruno Ursulino, responsável pela investigação, Sabrina não apenas induziu a morte da vítima como planejou e instigou o crime, manipulando o atual companheiro, Breno Gomes, já preso desde segunda-feira (21), para atacar Alef — seu ex-namorado.
O plano, segundo a polícia, era “dar um susto”. Mas o que começou como uma retaliação movida por ciúmes terminou em execução. E o que parecia um caso de desentendimento amoroso revelou-se uma trama cuidadosamente articulada.
“Ela teve envolvimento amoroso com os dois homens. Após uma briga com Alef, incentivou Breno a procurá-lo. Disse que era pra dar um susto, mas o parceiro passou do ponto e matou o rapaz com um tiro”, afirmou o delegado.
Trama ardilosa e provas contundentes
As investigações revelaram uma sequência de mensagens trocadas entre Sabrina e Breno, incluindo ameaças explícitas. Em uma delas, Sabrina afirma que “ia tocar fogo na casa do Alef”. No dia seguinte, Breno ateou fogo na motocicleta da vítima e, horas depois, retornou ao local armado e executou Alef com um disparo à queima-roupa.
A cronologia dos fatos e o teor das mensagens levaram a polícia a abandonar a ideia de que Sabrina era apenas o “estopim emocional” da tragédia. Ao contrário: ela passou a ser considerada peça-chave no planejamento da morte.
“Inicialmente, ela aparecia como uma possível motivadora. Mas as provas indicam que ela instigou, direcionou e articulou o crime. Sem ela, o homicídio não teria acontecido”, disse Ursulino.
Conexões perigosas e antecedentes criminais
Embora Sabrina não tenha antecedentes e nem esteja diretamente ligada ao crime organizado, mantinha contato frequente com pessoas envolvidas com o tráfico de drogas, o que, segundo a Polícia Civil, reforça os vínculos com ambientes de alta periculosidade.
Já Breno Gomes, autor confesso do crime, possui vasta ficha criminal e é ligado a uma facção criminosa que atua na capital. Para a polícia, pedir a alguém com esse perfil para “dar um susto” é como acionar um detonador sem saber o alcance da explosão.
“Quem manipula um sujeito com envolvimento com o crime para resolver uma questão pessoal assume o risco de que a violência vá além. E foi o que ocorreu. Alef foi vítima de uma execução planejada, com motivação emocional e ação criminosa”, concluiu o delegado.
Prisão e próximos passos
Sabrina foi conduzida ao Instituto Médico Legal (IML) para exames e teve o mandado de prisão temporária cumprido. Ela deve passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (25), onde a Justiça decidirá pela manutenção ou não da prisão.
O caso segue em investigação, mas para os investigadores, os elementos já apontam para um crime passional com agravantes de premeditação e envolvimento indireto com o tráfico. A Polícia Civil não descarta novos desdobramentos.
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