CRIME DENTRO DE CASA: Padrasto é indiciado por feminicídio e aborto após brutal assassinato de adolescente grávida no Piauí

O terror estava dentro de casa. A Polícia Civil do Piauí concluiu o inquérito que apura o assassinato de Maria Victória Rodrigues dos Santos, de apenas 15 anos, morta a facadas em março deste ano, no município de Itaueira, a 344 km de Teresina. O principal suspeito? O padrasto da jovem, Ramon Silva Gomes, agora formalmente indiciado por feminicídio e aborto de terceiro.

Assim como em muitos dos casos mais cruéis de feminicídio e violência sexual no Brasil, o agressor não era um estranho. Estava dentro do próprio lar, frequentando a cozinha, os almoços de família, dividindo o mesmo teto com a vítima — e, depois do crime, fingindo normalidade ao lado da mãe da menina.

Segundo o delegado João Ênio, titular da Delegacia de Itaueira, o indiciamento só foi possível graças a uma série de laudos técnicos e contradições no depoimento do próprio acusado, inicialmente ouvido como testemunha. “Ele tentou se livrar com supostos álibis. Mas identificamos inconsistências nas versões, pedimos a quebra de sigilo telefônico e cruzamos dados que comprovam que Ramon estava na casa no momento do assassinato”, detalhou o delegado.

Durante as investigações, a polícia apreendeu objetos pessoais do acusado, incluindo uma motocicleta, onde a perícia encontrou sangue que, embora não seja da adolescente, reforça a suspeita de envolvimento em outro possível crime. A prisão temporária de Ramon foi decretada em 30 de maio e, no dia seguinte, convertida em prisão preventiva. Agora, ele aguarda julgamento atrás das grades.

Mas o que choca ainda mais é o comportamento do assassino após o crime. “Mesmo depois de matar brutalmente a enteada, ele continuou convivendo com a mãe da vítima como se nada tivesse acontecido. Essa frieza é algo que nos impressiona”, destacou o delegado.

Execução covarde e motivação mesquinha

O crime foi descrito como um ato de selvageria. Maria Victória foi golpeada com tamanha violência que teve o crânio afundado, coração e pulmões perfurados. Não houve chance de defesa. Nenhuma.

O motivo? A gravidez da adolescente. Segundo os laudos e depoimentos reunidos pela polícia, a gestação interrompia os planos de Ramon com a mãe da jovem. A relação do casal era marcada por conflitos e instabilidade, especialmente por questões financeiras. O bebê que Maria esperava era do ex-namorado — algo que incomodava profundamente Ramon, que chegou a proibir o relacionamento entre os dois jovens.

“Ele demonstrava ciúme, obsessão e controle. Proibiu o namoro da enteada, criticava o rapaz e temia que ele fosse morar na casa que o próprio Ramon ajudou a construir”, afirmou o delegado João Ênio. Uma pegada ensanguentada no local do crime, compatível com o tamanho do sapato do padrasto (41/42), foi mais um elemento que fortaleceu o indiciamento.

Apesar da farta evidência técnica e dos relatos que desenham um enredo de horror, Ramon nega o crime em depoimento.

Feminicídio: crime que mora ao lado

Este caso sangrento é mais um entre milhares que revelam a face cruel do feminicídio no Brasil: a maior parte desses crimes acontece dentro de casa e é cometida por pessoas do convívio íntimo das vítimas — maridos, namorados, padrastos, pais, tios. O lar, que deveria ser um lugar de proteção, vira o cenário da execução.

Maria Victória foi silenciada por alguém que dizia fazer parte da família. Mais do que números nas estatísticas, sua morte escancara a urgência de proteger mulheres e meninas de seus próprios monstros domésticos.

Da Redação – Imagem: Arquivo/Rede Social

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