A escalada do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel coloca em risco o Estreito de Ormuz, principal rota de exportação de petróleo do mundo. Especialistas já preveem impactos diretos nos preços globais da commodity e em cadeias produtivas internacionais.
O Parlamento iraniano aprovou neste domingo (22/6) uma proposta que autoriza o fechamento do Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais estratégicos do planeta. A medida, considerada uma resposta direta aos ataques militares dos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas no sábado (21/6), ainda precisa passar pelo crivo do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do líder supremo Ali Khamenei.
O que está em jogo
O Estreito de Ormuz é uma faixa estreita de mar entre o Irã e Omã que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Cerca de 21% de todo o petróleo consumido no mundo transita diariamente por essa rota. A interrupção desse fluxo pode ter consequências globais.
Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e o próprio Irã dependem desse canal para escoar sua produção de petróleo. Qualquer bloqueio ou ameaça de interrupção afeta diretamente a oferta global da commodity, influenciando preços, custos logísticos e a inflação mundial.
A escalada do conflito
As tensões aumentaram desde o dia 12 de junho, quando Israel lançou ataques contra alvos estratégicos no Irã. O ponto de ebulição ocorreu neste sábado (21/6), com os bombardeios dos Estados Unidos contra três instalações nucleares iranianas, localizadas em Fordow, Natanz e Esfahan.
Em resposta, parlamentares iranianos como Seyyed Ali Yazdi Khah e Esmaeil Kowsari defenderam medidas retaliatórias. “Os inimigos precisam saber que o Irã tem muitas opções e não hesitará em usá-las”, afirmou Yazdi Khah. Kowsari destacou que o Parlamento chegou à conclusão de que o Estreito de Ormuz deve ser fechado.
Petróleo em alta: impacto imediato nos mercados
Antes mesmo do ataque dos EUA, o preço do petróleo já dava sinais de instabilidade. Desde o início dos ataques israelenses ao Irã, o barril do tipo Brent – referência global – saltou de US$ 69 para quase US$ 79 em apenas uma semana, um aumento de 14%.
Na quinta-feira (19/6), o Brent chegou a ser cotado a US$ 79, mas recuou na sexta-feira (20/6), após sinalizações de que os EUA evitariam se envolver diretamente no conflito. O barril fechou a US$ 77,01, com queda de 2,33%, na bolsa ICE.
Agora, com a confirmação dos ataques norte-americanos e a ameaça real de bloqueio do Estreito de Ormuz, analistas preveem uma alta iminente do petróleo já nesta segunda-feira (22/6). Caso o Irã cumpra a ameaça, os preços podem subir para acima de US$ 100 por barril — com projeções mais extremas chegando a US$ 120 ou até US$ 150, segundo relatório da seguradora holandesa ING.
Riscos para a economia global
Uma disparada nos preços do petróleo representa um risco significativo para a economia global. Custos com transporte e frete devem aumentar, afetando diretamente o preço de alimentos, combustíveis e produtos industriais. Além disso, o gás natural — que já vinha apresentando alta — também registrou valorização com o agravamento do conflito.
O Irã, que produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia (quase 5% da produção mundial), é um dos principais fornecedores da Opep. O fechamento de sua principal via de exportação criaria um gargalo logístico com efeitos imediatos nos fluxos comerciais.
Mar Vermelho também em alerta
Navios petroleiros e cargueiros já começaram a evitar a região desde a última semana. Com o aumento do risco geopolítico, diversas embarcações estão redesenhando suas rotas para evitar o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico — o que eleva os custos operacionais e pode gerar atrasos em entregas internacionais.
O que esperar nos próximos dias?
Tudo indica que a segunda-feira (23/6) será de forte volatilidade nos mercados. A reação oficial do Irã aos ataques e a possível confirmação do fechamento do Estreito de Ormuz serão determinantes para o comportamento das bolsas, do petróleo e do câmbio.
Caso o bloqueio se concretize, o impacto não será apenas energético: poderá desencadear uma nova crise internacional de abastecimento, semelhante à vivida em 2022, com a guerra na Ucrânia.
Edição: Damata Lucas/Imagem: Reprodução


