De laqueadura a transplante: jovem sofre série de complicações e levanta alerta sobre negligência médica

O que deveria ser um procedimento ginecológico rotineiro transformou-se em um drama devastador para Alison Calfunao, de 30 anos, na Argentina. No dia 9 de junho, ela foi internada na clínica particular San Lucas, na cidade de Neuquén, para realizar uma laqueadura — cirurgia relativamente simples e com baixo risco de complicações. No entanto, o que se seguiu foi um verdadeiro pesadelo médico e familiar.

Durante a cirurgia, Alison sofreu duas paradas cardíacas. Mesmo assim, segundo o relato da mãe, Carina Calfunao, os médicos da clínica não deram explicações claras sobre o que motivou o quadro de emergência. “Não tivemos nenhuma informação, nenhum pedido de desculpas ou qualquer esclarecimento. Foi como se o sofrimento da minha filha fosse irrelevante para eles”, desabafou Carina em suas redes sociais.

As complicações se agravaram nos dias seguintes. A jovem desenvolveu uma trombose que levou à infecção severa no pé. Diante da situação crítica, foi transferida para outro hospital com mais estrutura. A infecção se alastrou rapidamente, obrigando a equipe médica a amputar a perna afetada. Além disso, as paradas cardíacas haviam comprometido o funcionamento do coração de forma irreversível, o que a colocou na lista de transplante com urgência.

No dia 17 de junho, Alison foi internada no Hospital Italiano, em Buenos Aires, e submetida a um transplante de coração. O procedimento salvou sua vida, mas a jovem — mãe de dois filhos pequenos — agora enfrenta um doloroso processo de reabilitação física e emocional.

A família, além da comoção nas redes sociais, anunciou que vai buscar justiça. O caso está sendo investigado por autoridades de saúde, e a clínica San Lucas ainda não se pronunciou oficialmente.

Procedimentos simples, danos irreversíveis

A história de Alison se junta a uma série de casos que escancaram os riscos da negligência médica em procedimentos considerados rotineiros. Em 2022, na cidade de Mendoza, também na Argentina, uma mulher de 27 anos morreu após uma cirurgia de vesícula, em que houve perfuração acidental do intestino e demora no diagnóstico. A família denunciou o hospital por omissão de socorro e negligência.

Outro caso marcante ocorreu no Brasil, em 2021, quando uma jovem de 22 anos, no interior do Paraná, entrou em coma após uma anestesia mal administrada durante a retirada de um cisto no ovário. A clínica envolvida foi interditada pela vigilância sanitária e investigada por irregularidades nos equipamentos e ausência de plantão de emergência.

Casos como esses levantam questionamentos urgentes sobre a fiscalização das instituições de saúde privadas e a real preparação dos profissionais para lidar com intercorrências. Especialistas alertam que o descaso com protocolos de segurança, o uso de materiais inadequados, falhas no monitoramento do paciente durante a cirurgia e até a banalização de certos procedimentos estão por trás de grande parte das tragédias evitáveis.

Dor, justiça e mobilização

Além da dor da perda parcial de sua saúde e da rotina familiar completamente alterada, Alison e sua família agora enfrentam a batalha judicial. A busca por justiça não é apenas pelo que aconteceu com ela, mas pelo direito de outras mulheres — e de tantos pacientes — de não verem suas vidas colocadas em risco por erro, desatenção ou despreparo.

A mobilização em torno do caso ganhou força na Argentina e em outros países da América Latina, com milhares de mensagens de solidariedade e pedidos de rigor nas investigações. Organizações de direitos do paciente também estão se manifestando para cobrar mais transparência e responsabilização das instituições de saúde.

Enquanto isso, Alison segue internada, lutando para recuperar sua força. Seu caso é um símbolo de alerta: mesmo a cirurgia mais simples pode se tornar uma sentença de dor quando não há compromisso com o cuidado humano e profissional.

Da Redação – Imagem: Rede Social

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