O Brasil vive um momento de extremo risco institucional. O que se assistiu esses dias no Congresso Nacional — com a ocupação simbólica e política das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal por parlamentares bolsonaristas — representa uma afronta direta à democracia e à soberania popular. Essa movimentação não se trata apenas de manobra regimental ou disputa de poder: trata-se de um golpe branco, silencioso, arquitetado nos bastidores e movido a chantagens, ameaças e condicionamentos de pautas de interesse exclusivo de uma minoria radicalizada, contrária aos interesses do povo brasileiro.
Enquanto o país luta para reconstruir a estabilidade democrática após os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, liderados por apoiadores de Jair Bolsonaro, setores da extrema direita seguem trabalhando para desestabilizar o país. A ofensiva recente no Congresso expõe não só a fragilidade das instituições — especialmente das presidências das duas casas legislativas — como também a ousadia de um grupo de parlamentares que se recusa a aceitar o resultado das urnas e atua em benefício de um réu confesso, responsável por estimular atos violentos contra o STF e o próprio Presidente da República.
Mesmo que o presidente da Câmara, Hugo Motta, tenha finalmente reassumido sua cadeira, pairam no ar dúvidas sobre a moeda de troca que permitiu seu retorno. Teria sido a aceitação tácita de pautas ligadas aos interesses da extrema direita? A abertura para sabatinas e CPIs contra membros do Supremo? A promessa de blindagem para figuras próximas de Bolsonaro? Enquanto isso, a mesa diretora do Senado continua ocupado por extremistas e o presidente da Casa, David Alcolumbre, ainda não impôs a autoridade que o regimento interno lhe permite.
O Brasil está sendo chantageado de dentro de suas próprias casas legislativas. Parlamentares eleitos pelo voto popular agem agora em nome de um projeto autoritário, submisso a interesses internacionais e contrário aos anseios do povo. O caso mais emblemático é o do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que agora atua como um agente externo nos Estados Unidos, articulando com o presidente Donald Trump — outro nome símbolo da extrema direita — para impor sanções econômicas contra o Brasil. Sim, um deputado federal brasileiro operando para prejudicar a própria nação que o elegeu.
As recentes tarifas impostas por Trump — de 50% sobre exportações brasileiras, atingindo duramente setores como o agronegócio, o aço e o mel, inclusive no Piauí — não têm motivação econômica clara. São retaliações políticas, articuladas como vingança contra o governo brasileiro e como instrumento de pressão sobre o STF, que deve julgar Bolsonaro em setembro. E isso está sendo aplaudido por deputados e senadores extremistas que ocupam cadeiras no Parlamento.
O cenário é tão absurdo quanto revoltante: eleitos com votos do povo, esses parlamentares agem como representantes de um grupo extremista, ignorando o interesse público. Promovem pautas obscurantistas, conspiram contra a ciência, os direitos humanos e a justiça. Atacam ministros do STF, em especial Alexandre de Moraes, cuja atuação foi fundamental para frear os avanços autoritários do bolsonarismo. Hoje, esses parlamentares condicionam votações ao avanço de projetos de anistia a golpistas, tentam emplacar o impeachment de Moraes e boicotam qualquer pauta que beneficie de fato a população.
A democracia brasileira sangra. As instituições estão sob ataque interno. O Judiciário é tratado como inimigo pelos extremistas, a imprensa livre é alvo constante de tentativas de intimidação, e o Congresso — que deveria representar o povo — tornou-se, em parte, um bunker da extrema direita.
A responsabilidade por esse cenário também recai sobre o eleitorado. Foi o voto popular que empoderou essa gente. Mas é também o voto que pode — e deve — desbancá-los. Em 2026, o Brasil terá a chance de fazer uma limpeza profunda nas urnas. Não se trata apenas de trocar nomes, mas de defender a democracia, a Constituição e o futuro do país.
Não podemos aceitar que o Parlamento brasileiro se torne refém de um grupo que atua contra os interesses nacionais, que despreza a soberania, que aplaude sanções externas contra o próprio povo e que tenta, a todo custo, instaurar o caos para proteger um projeto autoritário e fracassado.
A resposta a esse sequestro institucional precisa vir com firmeza, responsabilidade e consciência. O Brasil exige, mais do que nunca, coragem para defender a democracia. E isso começa agora — com denúncia, com resistência, com voto e com voz.
Por Damatta Lucas – Imagem: ChatGPT


