Desaparecimento de pessoas no Piauí: esperar 24 horas é um mito que pode atrasar investigações

O número de registros de pessoas desaparecidas no Piauí acende um alerta importante para a sociedade. Somente em 2025, o estado contabilizou 744 casos, uma média de duas ocorrências por dia, envolvendo pessoas de todas as faixas etárias. Apesar dos dados preocuparem, as autoridades reforçam um ponto fundamental: não é preciso — nem correto — esperar 24 horas para registrar um boletim de ocorrência.

Essa ideia, ainda muito presente na cultura popular, não tem respaldo legal nem policial e pode comprometer as investigações. Segundo a Polícia Civil, as primeiras horas após o desaparecimento são decisivas para a localização da pessoa, seja ela criança, adolescente, adulto ou idoso.

O delegado Jorge Terceiro, titular da Delegacia Especializada em Pessoas Desaparecidas (DEPD), explica que o Piauí conta com uma unidade especializada para esse tipo de ocorrência e que o atendimento às famílias começa imediatamente após o registro.

“Esse prazo de 24 horas é um mito cultural. Não existe na lei nem na atividade policial. Pelo contrário: quanto mais cedo a ocorrência é registrada, maiores são as chances de localização”, destaca o delegado.

Capital concentra metade dos registros

De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, Teresina concentra cerca de metade dos casos registrados em 2025. Somente na capital, foram 328 registros de desaparecimento de pessoas maiores de 18 anos. Apesar disso, os índices de localização são considerados positivos: mais de 90% das pessoas registradas já foram localizadas, e a expectativa é que esse percentual ultrapasse 94%, conforme a média histórica da capital.

O delegado ressalta ainda que, embora o Piauí ocupe a quinta posição no Nordeste em número de registros, o estado está entre aqueles com menores índices proporcionais no cenário nacional. Ainda assim, a orientação é clara: todo desaparecimento deve ser levado a sério.

Onde e como registrar o desaparecimento

As famílias ou amigos podem procurar qualquer delegacia, tanto na capital quanto no interior do estado, para registrar o boletim de ocorrência. Não é obrigatório ir diretamente à delegacia especializada. O registro feito em outra unidade é automaticamente encaminhado à Especializada, que assume as investigações.

A delegacia especializada funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Em casos urgentes, inclusive durante a madrugada, o registro pode ser feito diretamente no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde a unidade está sediada.

A orientação da Polícia Civil é que a pessoa responsável pelo registro leve, sempre que possível:

  • Fotografia recente da pessoa desaparecida;
  • Informações sobre características físicas, tatuagens, sinais, marcas ou deficiências;
  • Relatos sobre o contexto do desaparecimento;
  • Informações sobre possíveis condições psicológicas ou de saúde.

Casos graves são exceção, mas exigem atenção imediata

Embora a grande maioria dos casos resulte em retorno voluntário ou localização pelas equipes policiais, alguns episódios mais graves marcaram 2025. Entre eles, o desaparecimento de uma adolescente após sair da escola, localizada três dias depois e resgatada pelas equipes policiais, e o caso de uma jovem vinda de Pernambuco, cujo desfecho foi trágico, mas que teve os responsáveis presos após as investigações.

Para a Polícia Civil, esses episódios reforçam a necessidade de agir rápido e combater a falsa ideia de que é preciso esperar para procurar ajuda.

Informação salva tempo — e pode salvar vidas

A delegacia especializada também mantém articulação com unidades de outros estados, o que permite investigar casos de pessoas que desapareceram fora do Piauí ou que perderam contato com familiares em outras regiões do país.

O recado das autoridades é direto: desaparecimento não espera relógio. Ao perceber a ausência injustificada de um familiar ou amigo, a orientação é procurar imediatamente a polícia e registrar a ocorrência. Esperar pode significar perder as horas mais valiosas da investigação.

Da Redação – Imagem: Chat GPT

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