A detenção de um menino de cinco anos durante uma operação contra imigrantes em Minneapolis, no norte dos Estados Unidos, provocou forte indignação e levou à convocação de um dia de protestos nesta sexta-feira (23) contra a atuação dos agentes federais de imigração.
A operação faz parte da campanha do presidente Donald Trump para intensificar o combate à imigração irregular. Milhares de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) estão mobilizados na cidade e em outras regiões do estado de Minnesota.
O menino Liam Conejo Ramos, de cinco anos, e seu pai, o equatoriano Adrian Conejo Arias, foram detidos quando chegavam à residência onde vivem. A informação foi confirmada por Zena Stenvik, superintendente das escolas públicas de Columbia Heights, onde a criança cursava a pré-escola.
Segundo Stenvik, os agentes teriam usado a criança como “isca” para bater à porta da casa e forçar outras pessoas que estavam no interior a saírem. Nas redes sociais, circulou uma imagem de Liam usando um gorro azul de coelho, enquanto uma pessoa vestida de preto o segura pela mochila escolar, o que ampliou a repercussão do caso.
Reações políticas e críticas
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, confirmou que a criança está entre os detidos, mas afirmou que os agentes buscaram protegê-la após o pai supostamente fugir durante a batida.
“Eles deveriam deixar uma criança de cinco anos morrer de frio?”, questionou.
A versão oficial foi duramente criticada por políticos do Partido Democrata. O congressista Joaquín Castro classificou as autoridades de Segurança Interna como “mentirosos compulsivos” e afirmou que sua equipe não conseguiu localizar o menino, que teria sido transferido com o pai para um centro de detenção em San Antonio, no Texas.
A ex-vice-presidente Kamala Harris também condenou a ação.
“Liam Ramos é apenas uma criança pequena. Deveria estar em casa com a família, não sendo usado como isca pelo ICE e mantido em um centro de detenção no Texas”, escreveu na rede social X.
Uma professora de Liam, identificada como Ella, descreveu o aluno como “brilhante” e lamentou sua ausência.
“Os colegas sentem sua falta. Ele ilumina a sala de aula todos os dias. Só quero que volte são e salvo”, disse em comunicado.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou o governo federal por tratar crianças “como criminosos”.
Protestos e paralisação na cidade
Com o lema “sem trabalho, sem escola, sem compras”, organizações comunitárias e ativistas convocaram um dia de protestos contra o ICE. Uma manifestação está prevista para o início da tarde no centro da cidade, seguida por uma grande concentração em um ginásio com capacidade para cerca de 20 mil pessoas, onde joga o time local da NBA.
A imprensa local informou que centenas de comércios, restaurantes e instituições culturais planejam fechar as portas em protesto contra a operação migratória de grande escala que vem sendo realizada há semanas em Minnesota.
Contexto legal e críticas internacionais
Segundo o advogado da família, Marc Prokosch, Liam e o pai seguiram os trâmites legais ao solicitar asilo em Minneapolis, considerada uma cidade-santuário, onde a polícia local não coopera com operações migratórias federais.
JD Vance afirmou que essa “falta de cooperação” dificulta o trabalho do ICE e aumenta as tensões.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou surpresa com os “abusos rotineiros” contra imigrantes e refugiados nos Estados Unidos e pediu o fim de práticas que “estão separando famílias”.
“Estou estarrecido com os abusos agora rotineiros e com a difamação que migrantes e refugiados sofrem”, afirmou em comunicado.
Escalada de tensão
Minneapolis registra protestos cada vez mais intensos desde a morte de uma mulher em 7 de janeiro durante outra operação do ICE. O agente responsável pelo disparo, Jonathan Ross, não foi suspenso nem acusado. O governo Trump e seus assessores defenderam a ação como legítima defesa.
Com informações da imprensa internacional – Imagem: ChatGPT


