Editorial | A chantagem contra o Brasil

O que se passa hoje na Câmara dos Deputados é um acinte contra a democracia e um insulto ao povo brasileiro. Sob o comando vacilante do presidente da Casa, Hugo Motta, transformado em refém da extrema direita, o Parlamento brasileiro assiste à consagração de um pacto vergonhoso: um acordo político que visa, ao final, a blindagem e a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus cúmplices golpistas.

Não se trata apenas de uma disputa de poder entre partidos. Trata-se da instalação de um projeto de impunidade arquitetado sob chantagens explícitas, motins organizados e conivência de lideranças que, em nome da sobrevivência política, aceitaram ceder à lógica autoritária de Eduardo Bolsonaro e seus aliados.

A chamada “PEC das prerrogativas” é apenas a primeira peça desse jogo sujo. O roteiro é claro: reabilitar privilégios, enfraquecer mecanismos de fiscalização e preparar o terreno para a anistia de quem atentou contra as instituições. Um verdadeiro retrocesso, que pretende devolver ao Parlamento a lógica da impunidade dos anos 80, quando centenas de parlamentares nunca foram investigados ou punidos.

É inaceitável que, após o 8 de janeiro, depois das tentativas explícitas de subversão da ordem constitucional, o Congresso Nacional se torne cúmplice de um novo golpe contra a democracia, agora travestido de “pauta legislativa”. É ainda mais grave que a chantagem contra o país tenha preço: segundo cálculos de parlamentares, Eduardo Bolsonaro e seu grupo já custaram mais de R$ 40 bilhões em barganhas e concessões.

Não é o povo brasileiro que pede essa pauta. Não são as famílias trabalhadoras que clamam pela blindagem de políticos. Não é a sociedade que exige a anistia de criminosos. Ao contrário: as pesquisas mostram que a maioria esmagadora rejeita manobras que visam salvar Jair Bolsonaro de suas responsabilidades.

O que se vê, portanto, é um Parlamento sequestrado por interesses obscuros, que se distancia da vida real do povo e se aproxima perigosamente da lógica autoritária que sempre guiou os que flertam com a ditadura.

É hora de dizer com todas as letras: o Brasil não aceita chantagem. O Brasil não aceita retrocessos. O Brasil não aceita que um punhado de políticos transforme o Parlamento em instrumento de impunidade.

Se Hugo Motta e aqueles que o cercam acreditam que podem negociar a democracia como moeda de troca, estão enganados. A história será implacável com os cúmplices do autoritarismo.

Por Damatta Lucas – Imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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