EDITORIAL | A MÍDIA QUE GRITA “DEMOCRACIA” ENQUANTO SABOTA A JUSTIÇA

O que está em curso no Brasil não é jornalismo crítico. É uma operação política coordenada, travestida de reportagem, colunismo e “preocupação institucional”. O alvo não é apenas Alexandre de Moraes. O alvo é o Judiciário enquanto poder capaz de impor limites ao capital financeiro, às elites rentistas e aos projetos autoritários que sempre encontraram guarida nos grandes conglomerados de mídia.

A ofensiva diária de Globo, Folha e Estadão contra o Supremo Tribunal Federal — e, de modo obsessivo, contra Moraes — não nasce do zelo republicano. Nasce do incômodo. Do pânico. Do fato de que, pela primeira vez em décadas, o Judiciário tocou no vespeiro que sempre esteve protegido: a Faria Lima, os bancos, os grandes interesses econômicos e sua blindagem midiática histórica.

A crítica é legítima? Sempre.
O que não é legítimo é abandonar critérios mínimos de apuração, substituir provas por “fontes sigilosas”, fatos por insinuações, documentos por ironias e manchetes por narrativas pré-fabricadas. Isso não é fiscalização do poder. É sabotagem institucional.

A reportagem de Malu Gaspar, publicada em O Globo, é emblemática desse processo de degradação. Não há documentos. Não há registros verificáveis. Não há provas. Há apenas “fontes anônimas” — esse velho expediente que, no Brasil, sempre aparece quando interesses poderosos precisam atacar sem deixar digitais.

Foi assim na Lava Jato.
Foi assim no Mensalão.
E está sendo assim agora.

A ironia é grotesca: os mesmos grupos de mídia que normalizaram vazamentos ilegais, conluios entre juiz e acusação e julgamentos espetacularizados agora posam de guardiões da ética. Como se não tivessem sido protagonistas ativos do colapso institucional que abriu caminho ao bolsonarismo, ao golpismo e à tentativa de ruptura democrática de 8 de janeiro.

Quando o Judiciário foi cúmplice, aplaudiram.
Quando passou a reagir, virou “ameaça”.

Não se trata de defender Alexandre de Moraes como indivíduo intocável ou herói mitológico. Trata-se de algo muito mais sério: defender a Constituição contra uma mídia que age como partido político do mercado financeiro.

A narrativa construída — contrato da esposa, encontros insinuados, comparações forçadas com Sérgio Moro — segue o mesmo roteiro de sempre: jogar suspeita no ar, repetir até virar “clima”, criar desgaste, produzir linchamento simbólico. Se amanhã nada se provar, pouco importa. O estrago já estará feito.

E então entram em cena os “colonistas” — como bem dizia Paulo Henrique Amorim. Um coro afinado, disciplinado, repetindo os mesmos enquadramentos, as mesmas dúvidas plantadas, a mesma falsa equidistância. Julia Duailibi, Cora Rónai, Merval Pereira, Miriam Leitão: não são vozes independentes, são peças de uma engrenagem editorial que decide previamente quem será o vilão da vez.

Curioso notar como a palavra “ética” só aparece quando o Judiciário toca nos interesses do sistema financeiro. Nunca apareceu com essa força quando bancos patrocinavam golpes, quando vazamentos seletivos manipulavam eleições, quando direitos eram rasgados em nome do “mercado”.

O pano de fundo é claro: uma guerra da Faria Lima, com banqueiros disputando poder, influência e sobrevivência. André Esteves, Daniel Vorcaro, BTG, Master. O Judiciário entra em cena para arbitrar — e, ao fazê-lo, vira inimigo. A mídia, que nunca foi neutra, escolhe lado. E ataca.

O que vemos hoje é a tentativa deliberada de rifar Alexandre de Moraes, como antes rifaram Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, a própria democracia. Amanhã será Flávio Dino. Depois, Lula. O método é o mesmo. Apenas muda o alvo.

Por isso, é preciso dizer com todas as letras:
isso não é defesa da democracia.
Isso é um ataque frontal às instituições, conduzido por grupos que jamais aceitaram perder o monopólio da narrativa, do poder e da impunidade.

A crítica ao poder fortalece a democracia.
A desinformação a corrói.
E o uso sistemático de fontes invisíveis para sustentar acusações graves não é jornalismo — é arma política.

O Brasil não sofre por excesso de Judiciário. Sofre por falta de uma mídia verdadeiramente comprometida com os fatos, e não com seus acionistas.

E enquanto essa mídia seguir gritando “democracia” com uma mão e puxando o tapete das instituições com a outra, nos caberá responder — com dureza, com clareza e sem pedir licença.

O povo precisa ir às ruas, desta vez, contra uma mídia sabotadora da democracia!

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