Editorial | A ofensiva da extrema direita contra o Brasil e os brasileiros

Vivemos tempos sombrios. O Brasil não está sob uma ditadura, mas a sensação de perseguição política e caça às bruxas promovida por setores da extrema direita cria um ambiente de intimidação que ameaça nossa democracia e a liberdade dos cidadãos.

Dois exemplos se tornaram emblemáticos dessa ofensiva: o deputado federal Eduardo Bolsonaro, em autoexílio nos Estados Unidos, e Paulo Figueiredo, neto do último ditador militar, que passaram a fazer campanha aberta de adulação a Donald Trump. O objetivo é claro: pressionar o governo norte-americano a sancionar autoridades, políticos, artistas e juristas brasileiros que ousaram se posicionar contra Jair Bolsonaro, condenado recentemente por crimes contra a democracia.

Essa campanha grotesca já produziu seus primeiros efeitos: o ministro Alexandre de Moraes, relator do julgamento de Bolsonaro, foi alvo da chamada “Lei Magnitsky” nos EUA; o governo brasileiro sofreu represálias econômicas em forma de tarifas após reforçar laços com os BRICS e sinalizar para a criação de uma moeda alternativa ao dólar; agora, a escalada chega ao plano cultural, mirando diretamente artistas e influenciadores.

Wagner Moura na mira

O ator Wagner Moura, consagrado em Hollywood, tornou-se o mais novo alvo dessa máquina de difamação. O motivo? Declarar em entrevista à BBC que “americanos invejam o Brasil por julgar Bolsonaro e golpistas”. Uma constatação simples, baseada no fato de que, nos EUA, crimes semelhantes seguem impunes.

A fala foi suficiente para acender o pavio da extrema direita. Deputados como Gustavo Gayer (PL-GO) e Nikolas Ferreira (PL-MG) passaram a exigir que o governo norte-americano sancione e até expulse Wagner Moura dos EUA, num gesto de perseguição política que beira o ridículo. Moura é acusado de ser “extremista” apenas por apoiar a democracia brasileira e criticar Donald Trump.

O padrão da perseguição

Não se trata de um caso isolado. Artistas e influenciadores como Felipe Neto, Casimiro Miguel e Eduardo Bueno também entraram na lista de alvos, assim como médicos e jornalistas que ironizaram a morte do extremista estadunidense Charlie Kirk. O neurocirurgião Ricardo Barbosa, por exemplo, viu seu visto cancelado e foi demitido após críticas ao líder conservador.

Esse comportamento revela um padrão perigoso: quando a base da extrema direita está fragilizada — como agora, após a condenação histórica de Jair Bolsonaro —, ela recorre à intimidação, à vigilância e à difamação. Promove campanhas de doxxing (exposição criminosa de dados pessoais), pressiona empresas e instituições para demitir críticos, e até mobiliza governos estrangeiros contra brasileiros que se recusam a seguir sua cartilha ideológica.

Trabalham contra o Brasil

É preciso dizer com todas as letras: esses parlamentares e influenciadores não defendem o Brasil — trabalham contra o país e contra os brasileiros. Sua agenda não é patriótica, mas vingativa. Querem punir quem ousou enfrentar Bolsonaro e, ao mesmo tempo, ajoelhar-se diante de Donald Trump, transformando o Brasil em colônia política e cultural de um projeto extremista internacional.

A resposta da democracia

O que estamos assistindo é uma escalada de ódio e perseguição. Mas o Brasil já mostrou que suas instituições funcionam. O julgamento de Bolsonaro é um exemplo de maturidade democrática que despertou admiração fora de nossas fronteiras. É justamente essa força que incomoda: enquanto aqui a Justiça se impõe, nos EUA setores do poder ainda toleram o autoritarismo trumpista.

A resposta a essa ofensiva não pode ser o silêncio. É hora de denunciar, de resistir e de reafirmar que a democracia brasileira não será intimidada por parlamentares patéticos nem por caçadores de inimigos imaginários.

O Brasil é maior do que a vingança da extrema direita. É maior do que os delírios de quem busca transformar crítica em crime e divergência em traição. Nossa democracia não será tutelada por Washington nem subjugada pelos herdeiros políticos de um projeto derrotado.

Por Damatta Lucas – Imagem: Chat GPT

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