Por Damatta Lucas
Entre chantagens explícitas no Congresso Nacional, pressão legítima da sociedade e insistência política do Governo do Brasil, finalmente uma medida concreta de alívio fiscal chega para quem mais precisa. A partir de 2026, trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês estarão isentos do Imposto de Renda. Sim, é histórico. E sim, houve resistência feroz.
Não foi por falta de recursos. Foi por disputa de modelo. Deputados da direita e da extrema direita tentaram, de todas as formas, impedir a mudança. O motivo é simples e incômodo: para que milhões deixem de pagar imposto, cerca de 141 mil brasileiros com renda anual a partir de R$ 600 mil passarão a contribuir mais. Estamos falando de um ajuste mínimo na contribuição dos super-ricos para garantir dignidade tributária a quem vive do próprio salário.
A pergunta que ecoa é inevitável: por que é tão difícil cobrar um percentual maior de quem acumula fortunas enquanto sempre foi tão fácil descontar até 27,5% de quem vive apertado?
Imagina abrir o holerite e ver a linha “desconto IRPF” zerada. Para quem ganha R$ 3 mil, R$ 4 mil ou R$ 5 mil, isso significa respirar. Um auxiliar de enfermagem que hoje perde cerca de R$ 140 por mês deixará de ver quase R$ 1.800 evaporarem ao longo do ano. É o gás garantido, o material escolar pago sem parcelamento sufocante, a feira feita com menos cálculo e mais tranquilidade.
A nova regra ainda cria descontos graduais para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, evitando distorções na transição. A Receita Federal do Brasil fará a correção da tabela progressiva para que não haja salto injusto na tributação da faixa seguinte. É o princípio básico da capacidade contributiva sendo, finalmente, respeitado.
O impacto vai além do contracheque individual. Quando milhões de trabalhadores têm de R$ 50 a R$ 300 a mais no bolso todo mês, esse dinheiro não vai para paraísos fiscais — ele circula. Vai para o mercadinho, para o salão de bairro, para a farmácia, para o pequeno comércio. É consumo popular aquecendo a economia real. É renda girando onde ela precisa girar.
Trata-se do maior alívio tributário para a classe trabalhadora desde o Plano Real. E não é exagero afirmar: é um passo concreto rumo a uma justiça tributária que o Brasil sempre adiou. Durante décadas, o peso do Estado caiu desproporcionalmente sobre salários, enquanto dividendos e grandes rendas gozavam de privilégios.
Não se trata de punir riqueza. Trata-se de corrigir uma distorção histórica. Em qualquer democracia madura, quem ganha mais paga proporcionalmente mais. O Brasil começa, ainda que tardiamente, a caminhar nessa direção.
Em 2026, o Leão vai tirar férias da vida de milhões de brasileiros. E quando a base da pirâmide respira, o país inteiro cresce junto.
Imagem: Chat GPT


