Editorial | Lula não pode cair na armadilha de Trump

Talvez o segredo esteja justamente em não baixar a cabeça e nem dizer “amém” a Donald Trump. Diferente de outros líderes mundiais que optaram pela submissão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu o confronto aberto. Deixou claro, diante da ONU, nesta terça-feira, 23, na abertura da Assembleia Geral da entidade, que soberania não se negocia.

E eis que, poucas horas depois, Trump mudou o tom. Chamou Lula de “agradável”, disse ter sentido “ótima química” no breve encontro e anunciou que os dois se reunirão em breve. O mesmo Trump que, em julho, impôs tarifas de 50% contra o Brasil, acusando o país de censura e corrupção judicial, agora posa de amigo.

É preciso cautela. Trump é imprevisível. Um dia elogia, no outro impõe sanções. Um dia abraça, no seguinte humilha. Esse jogo de aparente aproximação pode muito bem esconder uma emboscada diplomática, um teste de força para medir até onde Lula está disposto a ceder.

Lula tem razão em defender a dignidade do Brasil. Não se pode ceder diante de tarifas abusivas nem aceitar chantagens travestidas de cordialidade. O presidente norte-americano mostrou na ONU que continua guiado pelo improviso, pela vaidade e pelo cálculo político imediato. Ao mesmo tempo em que bajula Lula, atacou a ONU, negou o aquecimento global e tentou reescrever a própria história como “pacificador mundial”.

Cabe ao Brasil não se iludir com elogios baratos. Trump joga pesado, sempre em benefício próprio, e já deixou claro que “só faz negócio com quem gosta”. Pois bem: a política externa não pode se reduzir a simpatias pessoais. É sobre soberania, respeito e equilíbrio entre nações.

O encontro marcado será, sim, histórico. Mas Lula não deve se deixar envolver pelo teatro de Trump. O Brasil não precisa de aprovação do presidente norte-americano — precisa de respeito. E respeito não se pede. Impõe-se.

Por Damatta Lucas – Imagem: IA Chat GPT

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