Por Damatta Lucas, para Clique PI
O Brasil enfrenta hoje não apenas a hostilidade de um presidente de extrema direita nos Estados Unidos, mas algo ainda mais repugnante: a colaboração de um parlamentar brasileiro contra sua própria pátria.
As medidas de Donald Trump contra o Brasil já são suficientemente graves. Como mostrou o g1, temos:
- Tarifaço sobre produtos brasileiros, golpeando nossa indústria e agricultura;
- Retirada de vistos diplomáticos, humilhando autoridades como o ministro Alexandre Moraes, relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tentativa de golpe de Estado (julgamento utilizado por Trump para punir o Brasil, já que Bolsonaro é seu aliado de extrema direita na América do Sul), o ministro da Saúde Alexandre Padilha e servidores ligados ao programa Mais Médicos;
- Punições seletivas a técnicos e gestores brasileiros, em claro ato de retaliação política.
Até aqui, poderíamos tratar como mais uma crise entre governos. Mas há algo muito pior: Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal, agindo como cúmplice de Trump.
Um parlamentar contra o Brasil
Na tarde desta sexta-feira (15/8), o próprio Eduardo Bolsonaro publicou em suas redes sociais que se encontrou com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. O detalhe escandaloso: esse encontro ocorreu justamente depois de uma reunião do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com o mesmo representante americano ter sido suspensa. Fontes em Brasília e Washington não têm dúvidas: a mão oculta que minou o diálogo diplomático foi a ingerência direta de Eduardo.
Trata-se de um caso sem precedentes: um deputado brasileiro, pago pelo povo brasileiro, atuando para sabotar negociações oficiais de seu país, em alinhamento explícito com uma potência estrangeira que nos ataca.
Se isso não configura um ato de lesa-pátria, o que mais configuraria?
A resposta que o Brasil precisa dar
O governo Lula já recorreu à OMC contra as tarifas, ainda que esse caminho esteja fragilizado pelo bloqueio imposto pelo próprio Trump. Paralelamente, busca respostas nos Brics e em alianças Sul-Sul. São movimentos corretos, mas insuficientes diante do nível da afronta.
É hora de o Brasil:
- Denunciar internacionalmente a ingerência americana em nossos assuntos internos;
- Apontar Eduardo Bolsonaro como corresponsável por sabotagem diplomática;
- Diversificar exportações e alianças de forma urgente, reduzindo dependência dos EUA;
- E, sobretudo, abrir o debate sobre limites constitucionais e legais para parlamentares que atuam contra o interesse nacional em conluio com governos estrangeiros.
Não é oposição: é traição
Um parlamentar pode fazer oposição, criticar políticas públicas, votar contra medidas do governo. Isso é democracia.
Mas o que Eduardo Bolsonaro pratica é algo diferente: é traição institucional, subserviência a interesses estrangeiros e sabotagem deliberada contra o Brasil.
A história cobrará seu preço — e a sociedade brasileira não pode aceitar em silêncio que, em nome da vingança pelo destino judicial do pai, um deputado eleja como inimigo o seu próprio país.
O caminho que se impõe
A lição é dura, mas necessária: o Brasil precisa agir com firmeza. Diversificar seus mercados, fortalecer alianças com quem respeita a soberania nacional e não tolerar que parlamentares eleitos ajam como agentes estrangeiros contra o país.
Trump já mostrou que não respeita regras internacionais. Cabe ao Brasil mostrar que não se curva a ameaças. O futuro dessa crise pode escalar — mas também pode marcar o início de uma política externa mais soberana e menos dependente.
Ilustração: ChatGPT


