Eduardo Bolsonaro: o deputado que provocou sanções de Trump contra Moraes e agora chora como vítima

Hipocrisia explícita. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que provocou sanções financeiras do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, agora aparece em vídeo aos prantos, acusando o magistrado de perseguição após o bloqueio de contas bancárias ligadas a ele e à sua mulher, Heloísa Bolsonaro. No entanto, por iniciativa do próprio deputado, como ele mesmo afirma, nenhuma instituição financeira que tenha algum convênio ou parceria com o sistema financeiro dos EUA pode ter conta de Moraes ou movimentar dinheiro do ministro, sob pena de também sofrer sanções do governo norte-americano.

Vivendo confortavelmente nos Estados Unidos, Eduardo recebeu mais de R$ 2 milhões em transferências via Pix de Jair Bolsonaro, em valores fracionados para escapar do controle do sistema bancário, segundo relatório do Coaf obtido pela Polícia Federal. Parte desses valores foi repassada para a conta da esposa, em depósitos de R$ 50 mil e R$ 150 mil, configurando, segundo a PF, uma tentativa de “escamotear” a origem do dinheiro e evitar bloqueios.

O “chororô” do deputado

No vídeo divulgado nesta sexta-feira (22), o filho do ex-presidente reclama de reportagem da CNN Brasil que revelou os repasses via conta da esposa. Em tom de vítima, Eduardo ataca a Polícia Federal, a quem bolsonaristas passaram a chamar de “Gestapo” – em referência à polícia secreta nazista de Hitler.

“Oh, pessoal da CNN, pelo amor de Deus: Eduardo Bolsonaro usou a conta da esposa para esconder dinheiro. É me chamar de burro. Quem vai esconder dinheiro fazendo Pix?”, ironiza, tentando desqualificar a investigação.

Logo em seguida, repete a ladainha de perseguição:

“O que Alexandre de Moraes quer, quando bloqueia a minha conta e a da minha esposa, é causar sofrimento na minha família. Ele quer ver meus filhos menores sofrendo. Esse cara é um psicopata .”

A contradição escancarada

O discurso de Eduardo Bolsonaro beira a esquizofrenia política. Dias antes, em entrevista ao Financial Times, o mesmo deputado havia defendido que Donald Trump dobrasse a aposta contra Moraes, chegando a sugerir sanções contra a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Não foi a primeira vez. Em julho, Eduardo já falava abertamente em “sanções” a Moraes e à sua família, com base na Lei Magnitsky americana. Ou seja, quem usou os EUA para atingir o ministro e sua mulher agora reclama quando a própria esposa é atingida por investigações no Brasil.

Fascismo bolsonarista em prática

A estratégia de Eduardo repete a cartilha do fascismo: atacar ferozmente adversários, defender medidas autoritárias contra eles, e quando confrontado pela lei, posar de vítima. O mesmo deputado que incentivou sanções contra Moraes acusa hoje o Supremo de perseguição, ignora o relatório da PF e tenta transformar uma investigação financeira robusta em “dor familiar”.

A verdade é que o relatório do Coaf é claro: o ex-presidente Bolsonaro movimentou cerca de R$ 44 milhões desde que deixou o Planalto, dos quais R$ 2,1 milhões foram repassados ao filho Eduardo de forma fracionada para driblar mecanismos de controle. O uso da conta da esposa não foi coincidência, mas sim parte do esquema.

Enquanto isso, no palco político, o deputado do clã que sempre bradou contra a Constituição agora chora “falta de lei”. A lógica é simples: não faça o que eu faço.

Da Redação – Imagem: Chat

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