A pesquisa divulgada pela Quaest nesta quinta-feira, 21, sobre as eleições para presidente em 2026 revela um movimento político significativo e surpreendente, especialmente considerando o ambiente desafiador que o governo federal enfrenta. O avanço de Lula não é apenas numérico, mas estratégico e de percepção.
1. Consolidação da liderança e descolamento no 2º turno:
- Fato principal: Lula não apenas lidera, mas amplia sua vantagem contra todos os nove potenciais adversários testados no segundo turno, incluindo nomes fortes da direita como Tarcísio, Ratinho Jr. e a família Bolsonaro.
- Destaque do avanço: Em julho, a disputa com Tarcísio era um empate técnico (41% x 37%). Agora, Lula abre 8 pontos de vantagem (43% x 35%). Contra Jair Bolsonaro, a vantagem saltou de 6 para 12 pontos (47% x 35%). Isso indica que o eleitorado está se consolidando em torno de Lula, enquanto a oposição ainda não conseguiu definir uma liderança clara e unificadora.
2. Solidez no primeiro turno:
- Fato principal: Em todos os cinco cenários de primeiro turno, Lula aparece na liderança, com percentuais estáveis em torno de 34-35%. Isso é crucial porque demonstra uma base eleitoral sólida e inabalável, independente de quem seja o adversário.
- Destaque do avanço: A fragmentação da oposição é evidente. Enquanto Lula mantém sua fatia, os votos dos demais candidatos de oposição são pulverizados, variando muito de cenário para cenário. Isso mostra a dificuldade da direita em produzir um antagonista competitivo que una o campo.
3. O paradoxo da rejeição e da força eleitoral:
- Fato principal: Apesar de 58% dos entrevistados acharem que Lula não deveria concorrer à reeleição, ele vence todos os cenários de segundo turno.
- Destaque do avanço: Este é o ponto mais crucial da análise. Ele revela que, mesmo em um cenário hostil onde uma maioria questiona a candidatura, Lula permanece sendo a opção preferida quando confrontado com qualquer nome da oposição. Isso sugere duas coisas:
- A rejeição à oposição é maior e mais intensa do que a rejeição a Lula.
- O eleitorado, mesmo insatisfeito, vê em Lula o mal menor ou a opção mais estável quando a alternativa é um projeto bolsonarista ou de direita.
4. Medo como fator motivacional:
- Fato principal: Chama a atenção entre os que temem a volta de Bolsonaro (47%) e os que temem a continuidade de Lula (39%).
- Destaque do avanço: A chave está na análise dos indecisos. Entre esse grupo, o medo de Bolsonaro subiria para 46%, enquanto o medo de Lula cairia para 25%. Isso indica que, no processo de decisão de voto, o “medo do bolsonarismo” é um motivador mais poderoso do que o “medo do lulismo” para conquistar eleitores neutros. Esse é um trunfo estratégico para Lula.
5. A fraqueza estrutural da oposição:
- Fato principal: Se Bolsonaro não concorrer, não há um sucessor claro. Michelle Bolsonaro e Tarcísio aparecem empatados, seguidos por uma miríade de outros nomes com baixo potencial.
- Destaque do avanço: A pesquisa evidencia que a força da oposição ainda está vinculada à figura de Jair Bolsonaro. Sem ele, o campo se fragmenta e nenhum outro nome consegue emergir com força suficiente para desafiar Lula de forma consolidada. A incapacidade de produzir uma alternativa viável é a maior vulnerabilidade da oposição e o maior trunfo indireto de Lula.
Por que Lula avança num cenário hostil?
Lula enfrenta minoria no Congresso Nacional, principalmente na Câmara dos Deputados, onde há um ambiente extremamente hostil para o governo, dificultando ou rechaçando projetos de interesse do Executivo. O avanço de Lula destacado pela pesquisa Quaest não é necessariamente um sinal de popularidade avassaladora ou de aprovação irrestrita ao seu governo entre o eleitorado. Claro, sua gestão voltada essencialmente para os menos favorecido contribui. Mas é, sobretudo, um reflexo da profunda fraqueza e divisão do campo opositor.
Em resumo:
- Lula se beneficia de ter uma base sólida e unificada.
- A oposição, por outro lado, está fragmentada, sem uma liderança clara e carrega o fardo da rejeição elevada do bolsonarismo.
- O “medo do outro lado” é um fator que joga mais a favor de Lula do que contra ele, especialmente para captar indecisos.
Portanto, diante de um cenário político hostil, Lula não avança porque o cenário melhorou para ele, mas porque piorou ainda mais para a oposição. Sua estratégia, até agora, tem sido bem-sucedida em consolidar seu eleitorado e explorar as divisões e rejeições do adversário, posicionando-se como a única alternativa viável e conhecida em um mar de incertezas.
Da Redação – Imagem: ChatGPT


