Elitismo em editorial: imprensa conservadora tenta desqualificar vitória histórica dos trabalhadores com isenção do IR até R$ 5 mil

A aprovação, por unanimidade na Câmara dos Deputados, do projeto que isenta do pagamento de Imposto de Renda pessoas com renda mensal de até R$ 5 mil representa uma das maiores vitórias políticas do governo Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato. Com 493 votos a favor e nenhum contrário, a proposta não apenas concretiza uma promessa de campanha feita em 2022, mas também corrige uma injustiça tributária que há anos penaliza a classe trabalhadora brasileira.

Mas enquanto milhões de brasileiros comemoram um alívio direto no orçamento doméstico, setores da grande imprensa conservadora tentam colocar água no chope. Em editorial publicado nesta sexta-feira (3), o jornal O Estado de S. Paulo reagiu à medida com uma combinação de elitismo e preconceito social, classificando a proposta como “populista” e um “puxadinho eleitoral” — adjetivos que revelam o incômodo histórico das elites brasileiras com políticas que beneficiam a maioria.

Viés histórico: quando o que é bom para os pobres é “populismo”

O tom adotado pelo Estadão não é um caso isolado. Faz parte de um padrão recorrente no qual medidas que favorecem diretamente os mais pobres recebem um enquadramento negativo, enquanto decisões que atendem aos setores mais ricos são tratadas como “responsabilidade fiscal” ou “maturidade política”.

Ao chamar de “demagogia” a atualização da tabela do Imposto de Renda — congelada desde 2014 — o jornal ignora que essa era uma demanda histórica da classe média e dos trabalhadores assalariados, que nos últimos anos foram empurrados para dentro da faixa de tributação enquanto lucros e dividendos permaneceram praticamente intocados.

Com a aprovação do projeto, cerca de 26,6 milhões de contribuintes deixarão de pagar imposto ou terão descontos significativos. E, pela primeira vez, rendimentos acima de R$ 600 mil anuais serão tributados com uma alíquota mínima de 10%, afetando apenas 0,13% dos declarantes — justamente o topo da pirâmide de renda.

E não importa se essa demanda era uma promessa de campanha de Lula. Se houver ganho eleitoral por conta disso, é consequência. Mas, o mais importante, é o ganho do trabalhador brasileiro, independentemente do governo que implantou a medida.

Justiça fiscal incomoda quem sempre ganhou mais

A resistência editorial ao avanço da justiça tributária expõe uma contradição profunda: a defesa retórica de um sistema mais justo vem sempre acompanhada da crítica feroz a qualquer passo concreto nessa direção. O Estadão diz defender a taxação de lucros e dividendos — pauta que de fato está no centro do debate fiscal —, mas ao mesmo tempo desqualifica medidas que aliviam o bolso de milhões de brasileiros e diminuem a desigualdade. Talvez isso seja reflexo de preconceito contra o atual presidente. Se fosse iniciativa de alguém mais à direita, não teríamos tanta ojeriza do jornal em relação à medida. Um caso a pensar.

O medo da elite: Lula com uma bandeira poderosa

A tentativa de desmerecer a aprovação também revela outra preocupação evidente: a de que Lula tenha conquistado uma bandeira política poderosa e duradoura. Ao colocar mais dinheiro no bolso da classe trabalhadora e estabelecer uma tributação mínima sobre os super-ricos, o governo lança as bases para um debate que vai muito além do curto prazo eleitoral — trata-se de discutir que país o Brasil quer ser.

O gesto elitista de parte da imprensa ao tachar essa vitória de “puxadinho” é, na verdade, um reflexo do desconforto com qualquer política que reduza a distância entre os que têm muito e os que têm pouco. Em um país que figura entre os mais desiguais do planeta, não surpreende que uma simples atualização da tabela do IR seja tratada como uma ameaça pelos setores historicamente privilegiados.

Um marco contra a desigualdade

A aprovação da isenção para quem ganha até R$ 5 mil e a criação de uma alíquota mínima sobre rendas muito altas não resolvem sozinhas o problema da desigualdade brasileira, mas representam um passo concreto e histórico nessa direção.

Por isso mesmo, o desconforto dos editoriais conservadores não deve ser subestimado: ele sinaliza que, pela primeira vez em muito tempo, o debate sobre justiça fiscal saiu das páginas econômicas e entrou no cotidiano da maioria. E isso — por mais que incomode — é um sinal de avanço democrático.

Por Damatta Lucas – Imagem gerada por IA Chat GPT

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