A violência como instrumento de política externa tornou-se, de forma chocante, a nova norma da segunda gestão de Donald Trump. Após ordenar um ataque militar ilegal à Venezuela que culminou no sequestro internacional do presidente Nicolás Maduro, o mandatário norte-americano agora volta sua artilharia verbal – e a ameaça explícita de nova ação militar – contra a Colômbia.
Em declarações feitas a bordo do Air Force One no domingo (4/1), Trump não apenas insultou a nação colombiana, chamando-a de “muito doente”, como acusou pessoalmente o presidente Gustavo Petro de ser “um homem doente que gosta de produzir cocaína”. A conclusão foi uma promessa de intervenção: “E não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. O ataque, claramente motivado pela ideologia, visa deslegitimar o primeiro governo de esquerda da história colombiana, um país aliado estratégico que agora é tratado como um pária por ousar seguir um caminho soberano.
A ameaça não é retórica vazia. Ela segue um modus operandi já testado: a criminalização do adversário, seguida de uma ação militar justificada por uma narrativa construída. O que vimos na Venezuela no sábado – bombardeios e uma captura que configura, nas palavras do presidente Petro, um “sequestro” patrocinado pelo Estado – é o roteiro que agora ronda a Colômbia. A escalada é perigosíssima e joga por terra décadas de diplomacia, por frágil que fosse, na região.
A resposta colombiana foi firme e necessária. Petro, com a autoridade de quem não consta em arquivos de narcotráfico, respondeu publicamente: “Pare de me caluniar, senhor Trump”. A Chancelaria do país classificou as declarações como “ingerência inaceitável”, um termo preciso para definir a postura de um governo dos EUA que parece acreditar ter carte blanche para violar fronteiras e destituir governos à força.
O alvo seguinte na lista já foi indicado: o México. “O país precisa se organizar”, sentenciou Trump, prenunciando mais tensão e possíveis medidas coercitivas. Fica claro que o projeto é uma re-colonização pela força do que Washington sempre considerou seu “quintal”, desprezando a soberania e a vontade democrática dos povos.
Este momento é o mais grave nas relações hemisféricas em décadas. A captura de Maduro não “resolveu” nada; pelo contrário, abriu as portas para uma era de instabilidade e conflito aberto. A América do Sul se vê diante de uma escolha histórica: submeter-se a uma nova doutrina de intervencionismo brutal ou unir-se para defender, como fez a Colômbia, o princípio mais elementar da convivência internacional: o respeito à soberania nacional. O silêncio diante dessa escalada é cumplicidade.
Por Damatta Lucas – Imagem gerada por IA Chat GPT


