Escândalo no INSS: governo Lula na berlinda, mas esquema nasceu no vácuo da gestão Bolsonaro

Por Damata Lucas, para Site Clique PI

O governo Lula enfrenta uma tempestade política perfeita. O escândalo de fraudes no INSS, que já drena a popularidade presidencial e ameaça alianças com o centrão, tem um detalhe crucial: explodiu durante sua gestão, mas foi gestado no governo Bolsonaro, quando ninguém moveu uma palha para estancar o rombo. Enquanto a oposição tenta capitalizar o caso como “fruto da incompetência petista”, os dados revelam uma verdade inconveniente: as fraudes prosperaram por anos sob os holofotes da gestão anterior, que nada fez para impedi-las.

A crise que pegou o governo no contrapé

Cristiano Noronha, cientista político da Arko Advice, resume o dilema: “O governo está correndo atrás do prejuízo, como ocorreu com o Pix, e agora vacila até no apoio à CPI”. Pesquisas mostram que a desaprovação de Lula, que vinha recuando, voltou a subir. O custo político é claro:

  • Risco de afastamento do centrão, crucial para 2026;
  • CPI do INSS pode ofuscar qualquer boa notícia eleitoral;
  • A narrativa de “caos na Previdência” ganha força na oposição.

Mas a história não começa em 2023.

A Conafer e o esquema que Bolsonaro ignorou

O caso da Conafer é emblemático. A entidade, que desviou **R277milho~es/ano∗∗deaposentadoriasem2024(contraR277milho~es/ano∗∗deaposentadoriasem2024(contraR 400 mil em 2019), agiu à luz do dia durante a pandemia, quando o INSS fechou as portas sob gestão bolsonarista. Veja o que as investigações já revelaram:

  • Em 2021, o MPDFT e a PCDF já haviam descoberto 256 mil beneficiários com descontos ilegais;
  • A Conafer adicionou 73 mil filiações em plena pandemia (610 por dia!), sem que o INSS interviesse;
  • Justiça do DF negou operação contra a entidade em 2021, e o caso só foi retomado pela PF em 2024.

Ou seja: o esquema cresceu exponencialmente enquanto o governo federal assistia passivamente. A PF só agiu agora porque a CGU (sob Lula) priorizou o caso.

Por que o governo Lula pode (e deve) virar o jogo

Apesar do desgaste, há três estratégias para reverter a crise:

  1. Expor a omissão passada: Dados provam que as fraudes não começaram em 2023. O governo deve destacar que, pela primeira vez, investigações sérias estão em curso;
  2. Acelerar punições: Prender os envolvidos e recuperar recursos antes da CPI ganhar tração;
  3. Vincular o caso ao “Far West” previdenciário de Bolsonaro: Enquanto o ex-presidente extinguiu ministérios de controle, Lula reconstituiu a CGU e a PF – e os resultados aparecem agora.

O risco da narrativa simplista

A oposição quer vender a ideia de que “tudo piorou com Lula”, mas os números da Conafer mostram o contrário: o auge do esquema foi 2020-2022, e só agora as investigações avançam. Se o governo não corrigir a narrativa, pagará por um crime que não cometeu – e deixará impune quem realmente permitiu o estrago.

A herança maldita de Bolsonaro: fraudes que se agravaram sem controle

Dados do próprio Ministério da Previdência mostram que:

  • Em 2022, último ano de Bolsonaro no poder, o número de benefícios irregulares identificados superou 100 mil, com indícios de fraude em mais de R$ 3 bilhões em pagamentos.
  • A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que, entre 2019 e 2022, houve um aumento de 47% nos processos de investigação de fraudes, mas sem punições significativas.
  • Nenhuma operação de grande porte foi deflagrada na época para desarticular esquemas criminosos, que só começaram a ser alvo de apurações mais rigorosas a partir de 2023, com a chegada do governo Lula.

Ou seja: o problema já existia, mas foi ignorado. Agora, com a CPI e as investigações em curso, o governo atual tem a chance (e o ônus) de mostrar que, pela primeira vez, o Estado está agindo para combater o esquema.

Há caminho para a recuperação?

Apesar do cenário turbulento, o governo ainda pode reverter a situação negativa. Algumas ações podem ajudar:

  1. Transparência nas investigações – Mostrar à população que as fraudes estão sendo apuradas e punidas, destacando que o problema foi herdado, mas só agora está sendo enfrentado.
  2. Aceleração de medidas contra corrupção – Reforçar a atuação da CGU e da Polícia Federal para demonstrar eficiência no combate aos crimes.
  3. Comunicação clara – Evitar mudanças de discurso e explicar que, sem as investigações atuais, o esquema continuaria impune.

Se o governo conseguir alinhar uma narrativa consistente – mostrando que assumiu o problema deixado pelo anterior e está agindo para resolvê-lo –, pode transformar a crise em uma oportunidade de recuperar confiança. O desafio é grande, mas a omissão do passado pode ser justamente o argumento que falta para justificar as dificuldades do presente.

Fontes: MPDFT, PCDF, CGU, PF e tracking de opinião da Arko Advice.

E você? Acha que o governo conseguirá desvincular sua imagem desse escândalo? Deixe nos comentários.

Notícias recentes

Notícias em alta

Com notícias do Piauí, do Brasil e do Mundo!

©2024- Todos os direitos reservados. Clique Pi