A professora de Direito Internacional e Estudos de Paz da Universidade de Notre Dame, Mary Ellen O’Connell, utilizou seu canal no YouTube para fazer uma análise crítica sobre a ofensiva militar ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela. Para a especialista, a ação tende a produzir efeitos negativos duradouros no cenário internacional, sobretudo no que diz respeito à confiança global nos Estados Unidos como ator comprometido com normas jurídicas e multilaterais.
Segundo O’Connell, o uso da força fora dos marcos legais internacionais aprofunda um ambiente de insegurança e descrédito, além de não oferecer garantias concretas de mudança estrutural na situação política venezuelana. Na avaliação da jurista, intervenções armadas desse tipo costumam gerar sofrimento à população civil, ampliar a instabilidade regional e fragilizar ainda mais o sistema internacional baseado em regras.
Em sua manifestação, a professora ressaltou que a legalidade internacional existe justamente para conter a violência entre Estados e impedir que interesses políticos sejam impostos pela força. Para ela, quando uma potência ignora tratados, convenções e instituições multilaterais, abre-se um precedente perigoso que pode ser replicado por outros países, corroendo os fundamentos da ordem global.
Mary Ellen O’Connell também destacou que, mesmo diante de críticas ao governo de Nicolás Maduro, ações unilaterais não representam, necessariamente, avanços para a democracia ou para o fortalecimento do Estado de Direito. Na sua análise, mudanças políticas duradouras exigem respeito às leis, mecanismos jurídicos legítimos e cooperação internacional, e não operações militares conduzidas à margem do direito.
Por fim, a professora afirmou que a história demonstra que nações que alcançam reconhecimento e liderança global são aquelas que constroem sua influência com base no respeito às normas internacionais, na diplomacia e na defesa consistente da legalidade. Para ela, combater crimes transnacionais e violações de direitos humanos é um objetivo legítimo, mas que só pode ser alcançado de forma eficaz por meio de instituições jurídicas fortes, tribunais independentes e compromisso real com a lei — e não pela força militar.
Fonte e Imagem: YouTube


