EUA pressionam América Latina sob pretexto de combate às drogas e elevam tensão com Venezuela

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, iniciou nesta terça-feira (2) uma viagem ao México e ao Equador para discutir medidas de combate ao narcotráfico. A ofensiva diplomática ocorre em meio à mobilização militar norte-americana contra a Venezuela, acusada pela Casa Branca de atuar como “narcoestado”.

México rejeita ingerência

Na Cidade do México, Rubio se reuniu com a presidenta Claudia Sheinbaum, que descartou qualquer possibilidade de intervenção dos EUA em território mexicano.
“Não aceitamos interferência, violação do nosso território ou subordinação, mas sim colaboração entre nações em igualdade de condições. É isso que colocamos na mesa e foi aceito”, afirmou Sheinbaum em coletiva de imprensa.

Ameaça militar contra Caracas

O governo venezuelano denuncia que Washington mobilizou oito embarcações de guerra e um submarino nuclear, com 1,2 mil mísseis, para a costa do país caribenho.
“É uma ameaça extravagante, injustificável, imoral e absolutamente criminosa”, disse o presidente Nicolás Maduro, acrescentando que declarará a Venezuela uma “república em armas” caso haja ataque.

Para Maduro, a acusação de narcotráfico é apenas um pretexto para impor mudança de regime, assim como em 2019, quando Donald Trump apoiou a autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino. O mandatário lembrou que a produção de cocaína está concentrada em Colômbia, Equador e Peru, países pelos quais escoa a maior parte da droga pelo Pacífico. “Apesar disso, Washington não enviou nenhuma frota para essas águas, revelando um claro padrão duplo”, afirmou.

Petro condena intervenção

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também criticou qualquer ação militar na região. “Na grande pátria de Bolívar não pode haver nada além de soberania nacional; a região deve coordenar sua política antidrogas com os estrangeiros em igualdade de condições”, disse.

Equador na rota da Casa Branca

Após o México, Rubio segue para Quito, onde se encontrará na quinta-feira (4) com o presidente Daniel Noboa. Alinhado à política de Washington, Noboa defende flexibilizar a Constituição para permitir a instalação de bases militares estrangeiras.

Nos últimos anos, o Equador viu o narcotráfico explodir após o desmantelamento das Farc na Colômbia. A taxa de homicídios saltou de 7,8 por 100 mil habitantes em 2020 para 45,7 em 2023. Noboa tem respondido com militarização da segurança pública e chegou a declarar “conflito armado interno” contra o crime organizado.

Bananas e cocaína

Maduro questionou por que os EUA escolheram o Equador como parceiro estratégico, já que relatórios da ONU e da União Europeia apontam o país como uma das principais rotas da cocaína mundial. Segundo ele, empresas ligadas à família Noboa, que domina o setor de exportação de bananas, já foram implicadas em esquemas de envio de cocaína para a Europa.

“As empresas de Daniel Noboa, que é de uma família exportadora de bananas, foram encontradas traficando drogas. Metem cocaína nas bananas. Ah, isso não é dito. Por que se calam? Para que sejam subordinados aos interesses do império estadunidense”, acusou Maduro.

Guerra às drogas como geopolítica

A escalada revela que a “guerra às drogas” volta a ser usada por Washington como instrumento de pressão política na América Latina. Enquanto acusa Caracas de ser um “narcoestado”, os EUA dobraram a recompensa por informações que levem à captura de Maduro para US$ 50 milhões. Ao mesmo tempo, ignoram que a maior parte da produção de cocaína se concentra em países aliados, reforçando as denúncias de contradição e seletividade.

Análise

  • O uso da “guerra às drogas” pelos EUA como pretexto para intervenção militar, agora direcionado contra a Venezuela.
  • A posição de resistência do México e da Colômbia, que rejeitam qualquer ingerência direta.
  • O papel do Equador, que se mostra alinhado à Casa Branca e pode abrir espaço para bases militares estrangeiras, sob justificativa de combate ao narcotráfico.
  • As contradições expostas por Maduro, lembrando que os EUA não deslocam navios para o Pacífico, por onde realmente sai a maior parte da cocaína, mas concentram pressão no Caribe e contra governos hostis à sua política.

Da Redação – Imagem: ChatGPT

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