Gaza: fome deliberada expõe crime de guerra e genocídio em curso

A Faixa de Gaza enfrenta o que especialistas classificam como um genocídio em tempo real, sustentado sob o argumento da “defesa israelense”. A ofensiva militar de Israel, apoiada por aliados estratégicos como os Estados Unidos — sob influência direta de Donald Trump e outros líderes ocidentais — resultou na primeira declaração oficial de fome no Oriente Médio pela Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC).

Mais de meio milhão de palestinos estão passando fome extrema, e o quadro deve piorar até setembro, quando mais de 640 mil pessoas estarão em situação de insegurança alimentar catastrófica (Fase 5). Outras 1,1 milhão estarão em Fase 4, e quase 400 mil em Fase 3, ou seja, em níveis de crise.

Fome fabricada

A fome foi classificada após constatação de três limiares críticos: privação extrema de alimentos, desnutrição aguda e mortes relacionadas à fome. Segundo a ONU, a situação não decorre da falta de alimentos no mundo, mas do bloqueio deliberado de insumos básicos imposto por Israel.

“Esta não é uma tragédia natural, mas um desastre causado pelo homem, uma acusação moral e uma falha da própria humanidade”, afirmou o secretário-geral António Guterres.

No norte da Faixa de Gaza, as condições são descritas como ainda mais graves. No entanto, a ausência de acesso ao território impede a realização de levantamentos completos.

Civis sitiados sob drones

Tom Fletcher, coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, classificou a crise como “uma fome que poderia ter sido evitada”. Segundo ele, toneladas de alimentos estão bloqueadas na fronteira, impedidas de entrar em Gaza por decisão das autoridades israelenses.

“É uma fome do século 21, vigiada por drones e pela tecnologia militar mais avançada da história”, afirmou Fletcher.

Enquanto isso, mais de 12 mil crianças estão em estado grave de desnutrição, o maior número já registrado em um único mês, um aumento de seis vezes desde o início de 2025. A projeção é devastadora: até junho de 2026, mais de 43 mil crianças poderão morrer por falta de alimentos.

Obrigações ignoradas

O direito internacional impõe a Israel a responsabilidade direta de garantir a entrega de comida e medicamentos à população civil sob sua ocupação. Porém, a ofensiva militar e o cerco ao território têm transformado essa obrigação em letra morta.

A ONU e diversas agências humanitárias apelam por um cessar-fogo imediato que permita a entrada irrestrita de ajuda e a libertação de reféns. Mas, até agora, os apelos têm sido ignorados.

Genocídio em andamento

Organizações de direitos humanos, acadêmicos e especialistas em direito internacional já utilizam o termo genocídio para classificar a campanha israelense contra os palestinos em Gaza. A fome em massa, resultante de bloqueios e bombardeios, é considerada um método deliberado de extermínio.

“Um dia, essa fome calculada, em plena era digital e transmitida ao mundo em tempo real, cobrará prestação de contas daqueles que a sustentaram, aplaudiram ou silenciaram”, alertam analistas.

Da Redação, com informações ONU News – Imagem: Chat

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