Gaza: o genocídio tolerado pelo mundo

Um avanço sem limites. É assim que Israel conduz sua ofensiva contra a Faixa de Gaza: destruindo casas, hospitais, escolas, ruas, eletricidade, água, comida e, sobretudo, vidas humanas. Não importa se são mulheres, crianças, idosos ou civis em busca de um prato de comida — todos estão na mira. Sob o silêncio cúmplice do mundo, Gaza está sendo apagada do mapa.

No último domingo (14), mais de 40 palestinos foram mortos em novos bombardeios israelenses, a maioria no norte do enclave. Só o hospital Al Shifa recebeu oito corpos e 20 feridos. O hospital Al Quds registrou 35 feridos e cinco mortos. Em Rafah, ao sul, até os pontos de distribuição de comida foram alvos: quatro mortos e 24 feridos. A guerra já não poupa nem quem espera em fila por alimentos.

A ofensiva de Israel, lançada após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, já deixou mais de 64 mil mortos, segundo as autoridades locais — a esmagadora maioria mulheres e crianças. Mais de um milhão de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas, 53 mil perderam até mesmo as tendas improvisadas que as abrigavam. É uma destruição metódica, acompanhada de fome, sede e doenças, resultando em um desastre humanitário sem precedentes.

O silêncio e a cumplicidade

A ONU está enfraquecida, organismos internacionais apenas lamentam, e líderes mundiais toleram. Poucos ousam chamar as coisas pelo nome: genocídio. Enquanto isso, Israel age respaldado pelo apoio incondicional de potências que, desde o Holocausto, resolveram conceder-lhe uma espécie de “carta branca” como compensação histórica.

Mas como lembrou o chanceler russo Sergey Lavrov, nada justifica transformar o sofrimento de um povo em licença para aniquilar outro:

“O Holocausto foi um crime terrível, mas a União Soviética perdeu 27 milhões de vidas na Segunda Guerra, dois terços de civis. Nem por isso temos o direito de massacrar outros povos. Israel não pode usar a memória do Holocausto como salvo-conduto para cometer atrocidades em Gaza.”

Genocídio em curso

Relatores da ONU, organizações humanitárias e países de diferentes continentes já qualificam a ofensiva como genocídio. A África do Sul levou Israel ao Tribunal Penal Internacional, em Haia. Mas Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, não demonstra qualquer recuo: “Ninguém irá deter Israel”, declarou, ao mesmo tempo em que suas tropas atacavam abrigos e hospitais.

O fracasso histórico em criar um Estado palestino, denunciado até por aliados de Israel, está no centro da tragédia atual. O mundo assiste inerte à aniquilação sistemática de um povo que resiste apenas com a própria sobrevivência.

Gaza sangra, e o mundo consente

Enquanto Israel destrói Gaza pedra por pedra, vida por vida, líderes ocidentais se limitam a discursos mornos e apelos vazios por “moderação”. A cada novo bombardeio, multiplicam-se as valas comuns e diminuem as esperanças de um futuro.

A verdade é simples e dolorosa: Gaza está sendo exterminada diante de nossos olhos. E o silêncio do mundo é tão criminoso quanto as bombas que caem sobre o povo palestino.

Por Damatta Lucas – Imagem: ChaGPT

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