A atriz Giovanna Antonelli se tornou alvo de um inquérito criminal instaurado no início deste mês, após a denúncia de 46 franqueados e ex-franqueados da rede de clínicas de estética Giolaser, da qual foi sócia e garota-propaganda. A informação foi revelada por uma reportagem do portal Metrópoles.
Segundo a denúncia, o grupo de empresários acusa a atriz e outros envolvidos de crimes como concorrência desleal, propaganda enganosa, crime contra a economia popular, falsidade ideológica e participação em esquema de pirâmide financeira. Os denunciantes alegam que foram induzidos a acreditar em um modelo de negócios promissor, baseado em projeções de faturamento elevadas e promessas de retorno rápido, que não se concretizaram.
A atriz, que atualmente integra o elenco da novela Beleza Fatal, rompeu seu contrato com a rede logo após uma denúncia do Ministério Público contra o Grupo Salus, holding responsável pela gestão da Giolaser. No entanto, Giovanna ainda aparece como citada em dois inquéritos policiais ligados à operação.
De acordo com os denunciantes, houve manipulação de informações contábeis e omissão de dados financeiros importantes para atrair novos franqueados. Um trecho da denúncia afirma:
“Apesar de propagar em toda imprensa um faturamento bilionário e vender um modelo de negócio supostamente lucrativo, documentos comprovam que as pessoas jurídicas e físicas representadas provocaram a insolvência/falência de centenas de pessoas […] por meio, inclusive, do esquema de pirâmide.”
Defesa nega envolvimento da atriz na gestão
A assessoria de imprensa de Giovanna Antonelli negou qualquer envolvimento da atriz na gestão dos negócios da Giolaser e classificou a denúncia como uma tentativa de uso indevido da imagem pública da artista. Segundo a nota oficial, Giovanna era apenas sócia-minoritária e não participava da administração nem das decisões internas da empresa.
“Giovanna cedeu sua imagem e deteve participação minoritária no negócio da franqueadora, e nunca exerceu a gerência dos negócios empresariais. A única responsável por contratos de franquia é a empresa que gerencia o negócio franqueado, o Grupo Salus”, afirma o comunicado enviado à revista Veja.
Fraudes empresariais e pirâmides: problema crescente no Brasil
Casos como o da Giolaser evidenciam um problema recorrente no Brasil: o crescimento de esquemas fraudulentos disfarçados de oportunidades de investimento ou de empreendedorismo. De acordo com levantamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o número de denúncias sobre esquemas de pirâmide financeira aumentou mais de 80% nos últimos cinco anos. Em 2023, foram mais de 8 mil registros de supostas fraudes envolvendo promessas de lucro fácil, muitas vezes atreladas ao marketing de influência e ao uso da imagem de celebridades.
Especialistas alertam que pirâmides financeiras modernas se camuflam em modelos de franquia, marketing multinível ou plataformas digitais, e que a ausência de regulação eficaz em alguns setores facilita a atuação de grupos que se aproveitam da boa-fé de investidores e empreendedores iniciantes.
Além dos danos econômicos, esse tipo de crime causa impactos sociais significativos: centenas de famílias acabam endividadas e emocionalmente abaladas após perderem economias, imóveis e até mesmo seus próprios negócios.
Fiscalização e responsabilização
A legislação brasileira prevê punições para crimes contra a economia popular, falsidade ideológica e estelionato, mas a responsabilização em casos envolvendo grandes redes ou figuras públicas costuma ser complexa. Isso porque, muitas vezes, a cadeia de comando nas empresas é diluída entre sócios, investidores, administradores e marcas terceirizadas.
A apuração do Ministério Público e da Polícia Civil segue em curso, e o desfecho do caso envolvendo a Giolaser e Giovanna Antonelli ainda depende do andamento judicial.
Enquanto isso, entidades de defesa do consumidor e órgãos reguladores reforçam a necessidade de mais educação financeira, transparência na oferta de franquias e um debate mais profundo sobre os limites da responsabilidade de sócios-investidores e personalidades públicas em empreendimentos com impacto coletivo.
Da Redação – Imagem: Instagram


