Humorista confessa assassinato de miss Raissa Suellen após enganá-la com falsa proposta de emprego

O humorista Marcelo Alves, conhecido como “Alves Li Pernambucano”, confessou à polícia ter assassinado a jovem Raissa Suellen Ferreira da Silva, de 23 anos, após atraí-la com uma falsa promessa de emprego em São Paulo. A vítima, que era miss e morava em Curitiba, estava desaparecida desde o dia 2 de junho e teve o corpo encontrado no domingo (8), em um matagal no município de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.

Durante o interrogatório, divulgado nesta quarta-feira (11) pelo portal g1, Marcelo relatou ter planejado o encontro para se declarar à jovem, que era sua amiga, mas reagiu com violência após ser rejeitado. O crime chocou o país e reacendeu o debate sobre feminicídio e violência contra mulheres no Brasil.

“Era tudo mentira”, diz autor

Segundo o depoimento do humorista, o plano começou no final de maio. No dia 30, Marcelo encontrou Raissa na rua e disse a ela que estava de mudança para São Paulo. Dias antes, havia oferecido uma vaga de trabalho na capital paulista — uma oferta que, segundo ele mesmo admitiu, nunca existiu.

Raissa inicialmente recusou, pois já estava empregada. No entanto, acabou reconsiderando e comunicou à família que aceitaria a proposta. O encontro entre os dois foi marcado para as 10h30 da manhã do dia 2 de junho, uma segunda-feira. Marcelo buscou a jovem na casa onde ela morava com amigas, que a ajudaram com as malas e se despediram, acreditando que ela começaria uma nova etapa profissional.

Vítima teria sido morta após rejeição

Após levá-la para almoçar e tomar um café, Marcelo conduziu Raissa até sua casa, onde revelou que não havia emprego algum. Segundo ele, o encontro era uma tentativa de declarar seus sentimentos.

“Eu me declarei pra ela. Não tem São Paulo, não tem viagem, não tem emprego. Eu trouxe você aqui porque eu gosto de você”, contou no depoimento. Raissa teria reagido indignada, chamando o autor de “mentiroso” e proferindo xingamentos. “Ela começou a gritar alto. Eu fiquei com muito ódio, muita raiva, perdi a cabeça, daí aconteceu”, disse.

Marcelo afirmou que usou uma abraçadeira de nylon para estrangular a vítima até a morte. No entanto, o laudo preliminar do Instituto Médico-Legal (IML) não apontou lesões visíveis no corpo de Raissa. A Polícia Civil investiga a hipótese de que a jovem tenha sido dopada antes de ser morta, mas o resultado oficial da necrópsia ainda não foi divulgado.

Filho ajudou a ocultar o corpo

Após cometer o crime, Marcelo ligou para o filho, Dhony de Assis, de 26 anos, pedindo ajuda. De acordo com a investigação, os dois levaram o corpo até uma área de mata em Araucária, onde fizeram a desova.

Em depoimento, Dhony alegou que apenas dirigiu o carro e não participou diretamente do descarte do corpo. “Não quis nem ficar perto do local, esperei ele no carro. Ele tirou o corpo, ele que cavou o local. Eu não quis participação com nada”, declarou.

Dhony foi preso por ocultação de cadáver, mas foi liberado após pagar fiança. Marcelo Alves permanece preso preventivamente desde a última segunda-feira (9).

Caso é investigado como feminicídio

A Polícia Civil do Paraná trata o caso como feminicídio e segue apurando as circunstâncias do crime, inclusive a possibilidade de premeditação. A família de Raissa, que vive em Pernambuco, acompanha o caso e pede justiça.

Raissa Suellen morava há oito anos em Curitiba, onde trabalhava e participava de concursos de beleza. Amigos e familiares relataram que ela era uma jovem alegre, dedicada e cheia de planos para o futuro.

Violência contra mulheres no Brasil

O caso de Raissa se soma a uma longa lista de feminicídios registrados no Brasil. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é vítima de feminicídio a cada 6 horas no país. Em 2023, foram mais de 1.400 assassinatos de mulheres motivados por gênero.

Especialistas reforçam que a maioria desses crimes é cometida por pessoas próximas da vítima — companheiros, ex-companheiros ou amigos, como no caso de Raissa. O alerta é para que sinais de manipulação, assédio ou obsessão não sejam ignorados.

Edição Redação Clique PI – Imagem: Rede Social

Notícias recentes

Notícias em alta

Com notícias do Piauí, do Brasil e do Mundo!

©2024- Todos os direitos reservados. Clique Pi