Isolado no exterior, Eduardo Bolsonaro atira para todos os lados após perder mandato e proteção política

A derrocada política de Eduardo Bolsonaro ganhou contornos de desespero público nos últimos dias. Fora do Brasil desde o início do ano, o agora ex-deputado federal apostou numa estratégia arriscada: deixar o país para atuar politicamente no exterior, aproximar-se do trumpismo e tentar constranger instituições brasileiras a partir de fora. O plano, no entanto, fracassou.

Sem mandato, sem passaporte diplomático e aparentemente sem respaldo do próprio Donald Trump — que recompôs relações com o governo Lula — Eduardo se vê cada vez mais isolado, recorrendo a acusações graves, versões contraditórias e apelos dramáticos à imprensa para sustentar uma narrativa de perseguição.

A entrevista concedida ao SBT News no domingo (21) escancarou esse momento. Visivelmente apreensivo, Eduardo admitiu que perdera o passaporte diplomático em razão do fim do mandato e revelou que sequer possui passaporte comum. Com isso, corre o risco de ficar em situação migratória irregular nos Estados Unidos e até de ser expulso do país.

Diante do impasse, o ex-deputado chegou a mencionar a possibilidade de buscar um “passaporte de apátrida” — documento destinado a pessoas sem nacionalidade reconhecida — numa declaração que chamou atenção pelo simbolismo: o filho de um ex-presidente brasileiro cogitando, ainda que retoricamente, abrir mão do próprio vínculo nacional.

Ao mesmo tempo, Eduardo passou a sugerir a existência de uma suposta “ordem secreta” que impediria embaixadas e consulados do Brasil de emitirem um novo passaporte em seu nome. Nenhuma fonte foi apresentada, nem há confirmação oficial de tal medida. Ainda assim, ele apelou publicamente para que a imprensa investigasse o caso, numa tentativa evidente de transformar especulação em escândalo político.

O tom de vitimização se intensificou quando voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em desabafo, Eduardo afirmou que teve contas bancárias bloqueadas — inclusive de seus filhos — e declarou estar “vacinado” contra as estratégias do ministro, numa referência irônica ao fato de ter tomado a vacina contra a Covid-19, algo que durante anos foi rejeitado pelo bolsonarismo.

Sem apresentar provas, Eduardo também passou a acusar Moraes de interferir diretamente no processo que resultou na perda de seu mandato. Em vídeos publicados nas redes sociais, afirmou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria sido ameaçado de prisão para cassá-lo — alegação grave, feita sem qualquer elemento verificável.

As versões, no entanto, mudaram rapidamente. Em um primeiro momento, Eduardo disse não culpar Hugo Motta. Pouco depois, passou a atacá-lo, alegando que foi cassado por não ter sido aceito como líder da Minoria. A argumentação ignora o fato de que sua perda de mandato decorreu do excesso de faltas e do abandono prolongado das atividades parlamentares, enquanto residia fora do país.

O ex-deputado também voltou sua artilharia contra o próprio partido, o PL, criticando a assinatura do ato de cassação por um integrante da legenda na Mesa Diretora da Câmara. O discurso de ruptura com aliados históricos reforça a percepção de isolamento político e fragilidade interna.

O que emerge desse episódio é o retrato de um político que apostou na internacionalização do conflito institucional brasileiro, mas acabou ficando sem base, sem proteção e sem discurso coeso. Abandonado pelo trumpismo no momento em que os Estados Unidos recompõem relações com o governo brasileiro, Eduardo Bolsonaro agora se vê reduzido a lives, acusações sem lastro e estratégias improvisadas para manter relevância.

Mais do que uma denúncia consistente, suas declarações recentes soam como reação desesperada de quem perdeu mandato, espaço político e respaldo internacional — e tenta, a qualquer custo, transformar o próprio fracasso em narrativa de perseguição.

Por Damatta Lucas – Imagem Gerada por IA Chat GPT

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