A escalada diplomática entre Brasil e Israel atingiu novo patamar com as declarações do ministro da Defesa israelense, Israel Katz, que nesta terça-feira (26) publicou mensagem em português acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ser “antissemita declarado e apoiador do Hamas”. A fala foi acompanhada de uma imagem, manipulada por inteligência artificial, em que Lula aparece como fantoche do líder supremo do Irã, Ali Khamenei — um ataque direto à honra do chefe de Estado brasileiro.
A ofensiva de Katz está diretamente ligada à decisão soberana do Brasil de deixar a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), em julho. O governo brasileiro afirmou que a entidade vinha sendo usada politicamente para enquadrar como “antissemitismo” qualquer manifestação de apoio ao povo palestino. O assessor especial Celso Amorim foi categórico: “o Brasil não nega o Holocausto, mas a memória dessa tragédia não pode ser usada para justificar o genocídio atual na Palestina”.
A saída do Brasil da organização pró-Israel StandWithUs e o alinhamento à denúncia de genocídio apresentada contra Israel na Corte Internacional de Justiça também reforçaram a reação agressiva de Tel Aviv. Para diplomatas brasileiros, Israel tenta isolar Lula no cenário internacional por ter se tornado uma das poucas vozes de peso no Ocidente a condenar abertamente os ataques em Gaza, que já devastaram hospitais, escolas e até filas de distribuição de comida.
Pressão diplomática e retaliações
Em meio à crise, Israel retirou a indicação do diplomata Gali Dagan para assumir a embaixada em Brasília, alegando falta de disposição do Itamaraty em aceitar o nome. O Brasil, por sua vez, não sinalizou qualquer interesse em ampliar relações com Tel Aviv enquanto perdurarem os ataques contra civis palestinos.
A tensão não é recente. Em fevereiro de 2024, o embaixador brasileiro Frederico Meyer foi publicamente constrangido ao ser convocado pelo então chanceler israelense ao Museu do Holocausto para ouvir reprimendas contra Lula. Após o episódio, considerado “inaceitável” por Brasília, o diplomata foi transferido para Genebra. Desde então, o Brasil não indicou substituto, congelando as relações bilaterais.
Lula, voz contra o massacre
Ao denunciar reiteradamente o que chama de “genocídio em Gaza”, Lula ecoa o posicionamento de dezenas de países que exigem cessar-fogo imediato e reconhecem o direito do povo palestino a um Estado independente. A retórica do governo Netanyahu, ao contrário, busca justificar ataques sistemáticos a civis como se fossem simples ações de “defesa”.
O ministro Israel Katz tenta reduzir a defesa de vidas inocentes à retórica de apoio ao terrorismo. Mas a realidade é que Israel está cada vez mais isolado: acusado de crimes contra a humanidade na Corte Internacional, condenado em resoluções da ONU e rejeitado por parcelas crescentes da opinião pública mundial.
O Brasil na linha de frente
Com coragem política, o Brasil desafia a narrativa imposta por Washington e Tel Aviv, reafirmando que solidariedade ao povo palestino não é antissemitismo, mas sim defesa dos direitos humanos. A tentativa israelense de transformar Lula em inimigo serve apenas para escancarar a dimensão da crise humanitária que o mundo assiste.
Enquanto hospitais são bombardeados e crianças morrem soterradas em Gaza, o governo israelense prefere investir em campanhas de difamação contra líderes estrangeiros. Ao Brasil cabe resistir às pressões, fortalecer alianças com outras nações críticas à guerra e continuar defendendo a paz e a criação de um Estado Palestino soberano.
Da Redação – Imagem: IA Chat


