O Piauí volta a ser palco de um crime bárbaro que envolve diretamente a participação de adolescentes sob a influência de facções criminosas. Nesta segunda-feira (25), o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) prendeu Ítalo de Souza Brito, 18 anos, suspeito de envolvimento no assassinato do estudante Alex Mariano Nascimento Moura, de apenas 16 anos, ocorrido no último dia 14 de agosto, em Teresina.
Alex, jovem atleta das categorias de base do River Atlético Clube, foi executado a tiros dentro do Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Residencial Esplanada, localizado no Loteamento Sete Estrelas, na Zona Sul da capital. O crime, cometido dentro de um espaço escolar, choca não apenas pela brutalidade, mas também pela forma como adolescentes têm sido cooptados pelas engrenagens das facções criminosas que atuam no estado.
Ainda no dia do homicídio, duas pessoas adultas foram presas e dois adolescentes apreendidos em uma ação coordenada pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Entre eles, um menor conhecido como “Neguinho” foi localizado no bairro Torquato Neto e levado à sede do Draco para prestar depoimento.
Segundo as investigações, a motivação teria surgido de uma postagem feita por Alex em suas redes sociais, restrita ao grupo de “melhores amigos”. Na publicação, o estudante aparecia portando uma arma de fogo — gesto que pode ter desencadeado a ordem de execução, revelando a vigilância e o controle que facções exercem sobre jovens nas comunidades.
Adolescentes no alvo das facções
O caso levanta um alerta sobre um fenômeno crescente no Piauí: o recrutamento de adolescentes para atividades criminosas. Nos últimos anos, a presença de menores em crimes de homicídio, tráfico e assaltos cresceu de forma alarmante, resultado da combinação entre vulnerabilidade social, ausência de políticas preventivas e a força logística das facções, que oferecem aos jovens a falsa promessa de status e proteção.
Especialistas apontam que esses adolescentes acabam atuando como “peças descartáveis” nas engrenagens do crime organizado. Usados como executores, vigias e transportadores de drogas ou armas, eles assumem riscos altos em troca de pequenas vantagens financeiras, enquanto os líderes permanecem na sombra, muitas vezes de dentro do sistema prisional.
Investigações continuam
O DHPP e o Draco seguem investigando para identificar todos os envolvidos na execução de Alex Mariano. O crime evidencia a necessidade urgente de ações coordenadas entre órgãos de segurança, Justiça e assistência social, para frear o aliciamento de adolescentes e enfraquecer a atuação das facções no estado.
Enquanto isso, famílias e comunidades convivem com a dor e o medo, diante de uma realidade em que cada vez mais jovens trocam os sonhos — como os de Alex, que alimentava o desejo de seguir no futebol profissional — pela rota sem volta do crime.
Da Redação – Imagem: SSPPI


