Por Severino Severo para Clique PI
Em meio a um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, intervenções militares e disputas pela liderança global, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva emerge como uma das vozes mais contundentes na defesa da soberania dos países e do multilateralismo, especialmente em relação ao Sul Global.
Em conversa telefônica com o presidente da China, Xi Jinping, o líder chinês afirmou que seu país apoia o Brasil — a maior economia da América Latina — e os países em desenvolvimento, defendendo que ambos atuem juntos para preservar o papel central das Nações Unidas em um mundo cada vez mais instável. A informação foi divulgada pela agência estatal chinesa Xinhua na madrugada desta sexta-feira (23).
O telefonema ocorreu dias após Lula criticar publicamente o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, em artigo publicado no New York Times, no qual condenou a lógica de coerção e intervenção externa. Para o presidente brasileiro, o futuro da Venezuela — assim como o de qualquer nação — deve permanecer nas mãos de seu próprio povo.
🌍 Confronto direto com Trump
A posição de Lula ganha contornos ainda mais simbólicos diante do atual contexto político em Washington. O presidente brasileiro tornou-se um dos poucos líderes mundiais a confrontar diretamente as decisões do presidente norte-americano Donald Trump, mesmo sob o risco de retaliações políticas, econômicas e diplomáticas.
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças norte-americanas, sob acusações de narcotráfico, mergulhou o país em incerteza política e provocou um terremoto diplomático na América Latina. Governos da região temem que a operação abra precedente para intervenções armadas semelhantes em outros países, reacendendo fantasmas históricos de ingerência externa no continente.
⚖️ Defesa da ONU e do multilateralismo
Segundo Xi Jinping, China e Brasil devem “salvaguardar os interesses comuns do Sul Global” e atuar conjuntamente para manter o papel das Nações Unidas em um cenário internacional descrito como “turbulento”. A fala reforça o alinhamento estratégico entre Pequim e Brasília na defesa do multilateralismo, em contraste com a postura mais unilateral adotada pelos Estados Unidos.
A própria Organização das Nações Unidas expressou preocupação com os desdobramentos da operação na Venezuela. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que os princípios fundadores da organização — como a igualdade soberana entre os Estados — estão sob ameaça, em meio ao avanço de ações unilaterais das grandes potências.
🌎 América Latina em alerta
Na América Latina, a ofensiva norte-americana despertou apreensão generalizada. Para Lula, o ataque representa um marco histórico perigoso. Em seu artigo no New York Times, o presidente brasileiro afirmou que, em mais de 200 anos de história independente, esta foi a primeira vez que a América do Sul sofreu um ataque militar direto dos Estados Unidos, advertindo para o risco de um mundo baseado na força e no medo, e não no diálogo e na diplomacia.
❄️ Tensões globais e disputa por influência
O episódio venezuelano ocorre em paralelo a outras tensões geopolíticas, como as ameaças de Trump de usar a força para obter a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca, o que provocou desconforto entre aliados europeus. Ao mesmo tempo, a ação dos EUA na Venezuela desafia a influência crescente da China na América Latina e no Caribe, região onde Pequim tem ampliado investimentos em infraestrutura, energia e agricultura.
Xi Jinping afirmou a Lula que a China pretende continuar sendo uma “boa amiga e parceira” dos países latino-americanos e destacou a parceria estratégica firmada em 2024 com o Brasil, que integra a iniciativa do Cinturão e Rota aos planos brasileiros de desenvolvimento, transição energética e infraestrutura.
🧭 Brasil no centro da nova disputa global
Ao manter uma posição firme contra intervenções unilaterais e em defesa da soberania nacional, Lula reposiciona o Brasil como protagonista diplomático do Sul Global e como uma voz alternativa ao eixo Washington–Bruxelas. A postura do presidente brasileiro sinaliza uma tentativa de resgatar o protagonismo histórico do país na diplomacia global, ao mesmo tempo em que desafia diretamente a lógica de poder baseada na coerção e na hegemonia militar.
Em um mundo cada vez mais polarizado, a posição de Lula o coloca no centro de uma disputa maior: entre a ordem internacional liderada pelos Estados Unidos e a emergência de um bloco multipolar, no qual Brasil, China e outras potências emergentes buscam redefinir as regras do jogo global.
Imagem: Chat GPT


