Lula determina a ministros a defesa da soberania brasileira; Brasil não aceitará “desaforo, ofensas e petulância de ninguém”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu sua equipe ministerial e determinou que todos reafirmem, em seus discursos públicos, a defesa intransigente da soberania brasileira. O gesto é visto como um recado direto ao presidente norte-americano Donald Trump, que desde sua volta à Casa Branca tem adotado medidas duras contra o Brasil em retaliação política.

 Ao citar a atual política dos Estados Unidos, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais, ele afirmou que o Brasil não aceitará “desaforo, ofensas e petulância de ninguém”.

Até agora, Lula tem sido o único líder mundial a confrontar abertamente Trump, que opera uma política externa marcada por pressões comerciais e pelo alinhamento com forças da extrema-direita, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro — hoje réu em processos que investigam sua participação em uma tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022.

O tarifaço contra o Brasil

No início de abril, Trump lançou uma nova rodada de medidas protecionistas, aplicando tarifas alfandegárias conforme o déficit comercial que os EUA mantêm com cada país. Como Washington possui superávit em sua balança com o Brasil, a primeira taxação foi relativamente branda: 10%.

Mas a escalada veio em agosto, quando o governo norte-americano impôs uma tarifa adicional de 40% contra produtos brasileiros. A justificativa foi dupla: punir decisões de Lula que afetam os interesses das big techs — grandes apoiadoras de Trump — e retaliar o julgamento de Bolsonaro.

Hoje, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, cerca de 23,2% das exportações brasileiras aos EUA estão enquadradas na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial norte-americana, que autoriza sobretaxas em nome da “segurança nacional”. Isso atinge principalmente aço, alumínio e cobre, tarifados em 50%, além de automóveis e autopeças, taxados em 25%. Outros 41,3% dos produtos brasileiros pagam tarifa mínima de 10%.

Big Techs, BRICS e soberania

Além do embate tarifário, Lula tem avançado em uma ofensiva política contra gigantes da tecnologia, muitas delas alinhadas ao governo Trump e acusadas de manipular debates públicos. O presidente também intensifica sua aposta no fortalecimento do BRICS, bloco que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, como alternativa à hegemonia econômica e financeira de Washington.

O discurso de Lula é de enfrentamento direto: o Brasil não aceitará “tutela estrangeira” nem abrirá mão de suas escolhas soberanas em política interna, digital ou comercial. Ao reunir ministros e reforçar a linha de resistência, o presidente se coloca como contraponto a Trump em um cenário global marcado por novas tensões entre protecionismo, multipolaridade e a disputa pela economia digital.

Da Redação – Imagem: Chat

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